A visita de Albanese a Honiara, onde foi recebido pelo homólogo salomonense, Matthew Wale, ocorreu um dia depois de a China ter realizado um teste de lançamento de um míssil a partir de um submarino nuclear, que caiu em águas próximas de Nauru, um pequeno Estado insular do Pacífico Central.
“Não queremos ver qualquer ação que desestabilize ou comprometa a paz, a segurança e a estabilidade do Pacífico e da região. Não há dúvida de que se trata de um ato provocatório por parte da China”, afirmou Albanese, numa conferência de imprensa conjunta com Wale.
O chefe do Governo das Ilhas Salomão declarou que não pretende que “nenhum país, nem a China, nem os Estados Unidos”, realize testes de mísseis no Pacífico.
“Sejam nossos amigos, mas não nos ameacem”, afirmou.
As Ilhas Salomão, um arquipélago com cerca de 700 mil habitantes, situado a nordeste da Austrália, assumiram importância estratégica nos últimos anos devido à crescente disputa de influência entre a China e as potências ocidentais no Pacífico.
Em 2019, o país rompeu relações diplomáticas com Taiwan e estabeleceu laços oficiais com Pequim, uma decisão que alterou o equilíbrio regional e suscitou preocupações na Austrália, na Nova Zelândia e nos Estados Unidos.
A assinatura em 2022 de um acordo de segurança entre Honiara e Pequim reforçou essas preocupações, perante receios de que a China pudesse aumentar a sua presença militar numa região considerada estratégica por Camberra e Washington.
A mudança de Governo em maio levou ao poder Matthew Wale, que esteve na oposição desde 2019 e criticou os acordos assinados pelo anterior Executivo para estreitar relações com a China.
Os dois líderes reuniram-se hoje para fazer avançar as negociações de um tratado abrangente, que poderá ser assinado antes do final do ano.
“Vamos trabalhar em estreita colaboração para concretizar a ambição comum de elevar a nossa relação, baseada na confiança mútua, no respeito e no diálogo (…) Desde que o meu Governo tomou posse, demos prioridade ao futuro da Austrália na região”, afirmou Albanese.
O reforço da presença australiana no Pacífico surge depois dos acordos estratégicos assinados por Camberra com as Fiji, na segunda-feira, e com Vanuatu, em junho.
“Estamos a acompanhar com interesse o acordo de defesa mútua assinado entre as Fiji e a Austrália. Nem todos os países insulares do Pacífico dispõem de forças armadas, pelo que é uma questão que continuaremos a ponderar”, afirmou Wale.
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