O governo irá realizar estes projetos no futuro, “mas, por enquanto, todos os recursos devem ser direcionados para setores críticos”, afirmou Koretsky no Telegram, citando a defesa e a proteção social como prioridades.
A ofensiva russa em território ucraniano, que dura há quatro anos e meio, abalou a economia do país, provocando uma destruição avaliada em milhares de milhões de dólares e abrindo um enorme rombo nas finanças de Kyiv.
O Governo ucraniano indicou, no início deste mês, que iria procurar obter mais 53 mil milhões de dólares em ajuda externa no próximo ano — incluindo junto do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial — para cobrir o défice.
“A situação das finanças públicas continua difícil”, salientou Koretsky. “Parte do financiamento internacional previsto ainda não chegou, em parte porque a Ucrânia não conseguiu cumprir atempadamente alguns compromissos assumidos com os seus parceiros internacionais”, acrescentou.
“Estamos a adiar despesas não prioritárias. Isto inclui novas construções, obras de reconstrução ou grandes reparações que não sejam de importância crítica, bem como melhorias em espaços públicos, como parques, praças, fontes ou a renovação de pavimentos”, indicou.
O Governo ucraniano anunciou este mês que planeia alocar um nível recorde — dois terços do seu orçamento — à defesa no próximo ano, à medida que os custos da guerra contra a Rússia continuam a aumentar.
O jornal Ekonomichna Pravda noticiou que o Ministério das Finanças adiou para dezembro as despesas destinadas a preparar o sistema energético para o inverno, por falta de recursos.
Nos últimos meses, as forças russas têm fustigado infraestruturas civis das quais Kyiv depende para obter receitas com a exportação de cereais, em particular portos e navios em Odessa (sul), tornando ainda mais crítica a situação financeira do país.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e «desnazificar» o país vizinho, independente desde 1991 – após a desagregação da antiga União Soviética – e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões – Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia – além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).
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