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Rogério Sapo: a trajetória do boxeador que representa Itagibá e Ipiaú — artigo de Samio Cássio

admin
Ultima atualização: 2025/12/29 at 2:54 PM
Por admin
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Sapo, atleta de Japomirim (Itagibá) e Ipiaú, representa a região cacaueira no ringue. Com um estilo técnico e ofensivo, utiliza a direita para abrir espaços, a esquerda para manter o controle, além de golpes precisos como o gancho e o uppercut, que têm sido decisivos em suas vitórias.

+ Conteúdos
Rogério “Sapo” Pereira: uma trajetória de luta dentro e fora dos ringuesFoto com Mike Tyson ( arquivo pessoal)

Rogério “Sapo” Pereira: uma trajetória de luta dentro e fora dos ringues

Rogério Pereira, mais conhecido no mundo do boxe como Sapo, construiu ao longo de mais de vinte anos uma trajetória marcada pela persistência, disciplina e paixão pelo esporte. Iniciada nas primeiras décadas do século XXI, sua carreira se desenvolveu em um contexto de desafios constantes, exigindo não apenas preparo físico, mas também força mental e resiliência.

Desde os primeiros passos no boxe, Sapo demonstrou dedicação e respeito à modalidade, características que o acompanharam ao longo de sua formação como atleta. Sua atuação nos ringues foi marcada por lutas intensas, aprendizados contínuos e pela busca constante por evolução técnica e pessoal. Cada combate representou mais do que uma disputa esportiva: foi também um espaço de crescimento e afirmação.

Além dos resultados competitivos, a trajetória de Rogério Pereira destaca-se pelo impacto que ultrapassa o universo esportivo. Sua experiência no boxe contribuiu para a construção de valores como disciplina, perseverança e superação, que se refletem em sua vida pessoal e profissional. Ao longo dos anos, Sapo consolidou-se como uma figura respeitada no meio, tornando-se referência para novos atletas e admiradores da modalidade.

Atualmente, sua história segue em construção, reafirmando que o boxe, para Rogério Pereira, é mais do que um esporte: é um caminho de vida, marcado por desafios vencidos e pela constante busca por novos horizontes.

Com Mike Tyson ( arquivo pessoal)

Foto com Mike Tyson ( arquivo pessoal)

A narrativa articula fontes bibliográficas e história oral, a partir das memórias do próprio biografado, de familiares e de pessoas próximas, valorizando experiências vividas ao longo de sua trajetória. Entre os aspectos abordados estão suas participações em lutas internacionais e encontros com nomes de destaque do boxe mundial, como Mike Tyson e Canelo Álvarez, evidenciando a relevância de sua atuação esportiva. As memórias de sua mãe e de seus irmãos ampliam a dimensão social e afetiva da biografia, contribuindo para a compreensão de sua formação pessoal e das relações que marcaram seu percurso. A perspectiva histórica adotada compreende Rogério Pereira como sujeito histórico, inserido em contextos sociais, culturais e esportivos específicos. As fotografias que acompanham o texto foram cedidas pelo pesquisado, integrando o conjunto de fontes utilizadas na construção desta narrativa.

  1. INTRODUÇÃO

Rogério Pereira dos Santos, conhecido no mundo do boxe como Sapo, nasceu em 28 de março de 1985, em Ipiaú na Bahia, em meio às riquezas da zona cacaueira, das quais sua família nunca pôde usufruir. Filho de Valdelice e Jacson Pereira, cresceu em um ambiente marcado pela luta cotidiana e pela resiliência. Sua mãe, mulher negra, enfrentou simultaneamente barreiras de gênero, classe e raça, criando seus filhos biológicos e uma sobrinha, além de cuidar de outros parentes, sustentando a família quase sozinha. Como observa Davis (2017), “quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”. No caso de Sapo, essa força materna foi decisiva para moldar sua disciplina, coragem e determinação, valores que ele levaria para o ringue.

Desde a infância, Rogério demonstrava talento e inclinação natural para os esportes de luta. O boxe, mais do que uma prática esportiva, tornou-se um caminho de resistência, afirmação pessoal e sobrevivência. Como todo homem negro, “Sapo, atleta negro, precisou lidar com as barreiras raciais da sociedade brasileira. No ringue, encontrou mais do que competição: encontrou um espaço para afirmar sua identidade e seu sentimento de pertencimento, além de conquistar respeito. As questões raciais atravessam sua vida, influenciando sua sobrevivência dentro e fora do esporte.” “Silvio Almeida (2019) argumenta que o racismo é uma decorrência da própria estrutura social e não se explica apenas por atos individuais ou discursos.

Sua trajetória, especialmente nos anos 2000, evidencia as dificuldades enfrentadas por atletas brasileiros oriundos de camadas populares, que muitas vezes constroem suas carreiras sem suporte financeiro ou institucional. Enquanto atletas de países centrais contam com infraestrutura, educação e recursos, Rogério precisou lutar intensamente para desenvolver suas habilidades, provando que disciplina, força de vontade e talento podem superar limitações sociais e preconceitos.

Com o saudoso campeão Éder Jofre

Com o saudoso Miguel Oliveira

“O esporte transformou-se em instrumento de realização pessoal e de transformação social. Investir em educação e esporte mostra-se eficaz para reduzir a pobreza, enfrentar desigualdades socio-raciais e garantir condições dignas de vida. Nesse contexto, a trajetória de Sapo configura-se como memória coletiva, registrando experiências de sua família e comunidade e demonstrando como o esporte pode ser um espaço de resistência e valorização social. Como observa Halbwachs (2006), as lembranças individuais ganham sentido dentro do consciente coletivo, e, segundo Le Goff (2003), a memória atua simultaneamente como instrumento e objeto de poder, revelando que narrativas como a de Sapo contribuem para compreender tanto experiências individuais quanto dinâmicas sociais mais amplas.”

Além da carreira esportiva, Rogério é pai de cinco filhos e é casado há mais de uma década com Tizza Yasmin, parceira na vida e na gestão da academia que construíram juntos. O casal trabalha para consolidar o projeto familiar e esportivo, perpetuando valores de disciplina, luta e superação.  A história de Rogério vai além da trajetória de um pugilista. Ela revela um percurso marcado por resistência e superação, evidenciando como o esporte pode se tornar um meio concreto de transformação de vida.

INFÂNCIA E CONVIVÊNCIA FAMILIAR

Rogério construiu sua trajetória a partir de uma infância marcada pela convivência familiar, pelas brincadeiras coletivas e pela forte relação com os espaços naturais e comunitários do território onde cresceu. Desde cedo, ele se destacava como uma criança inquieta e ativa:

“Eu era um menino danado, rebelde, não gostava de ficar parado e queria sempre estar na rua” (Sapo, 2025).

Criado ao lado de dois irmãos e duas irmãs, Rogério valoriza a união familiar como elemento central de sua formação. As brigas entre eles eram comuns parte natural da infância, mas, ao mesmo tempo, havia um forte sentimento de proteção mútua:

“A gente brigava bastante entre nós, mas não aceitava que ninguém de fora mexesse com a gente” (Sapo, 2025).

Essas experiências contribuíram para consolidar laços afetivos e o senso de pertencimento à família e ao território em que cresceu.

A infância esteve profundamente ligada ao rio e aos espaços de sociabilidade do bairro, com momentos de lazer no areião próximo ao Chaplin e nas idas ao Arara, experiências que fortaleceram seu vínculo e sentimento de pertencimento ao território:

“A gente ia tomar banho no Rio de Contas, ficava brincando naquele areião perto do Chaplin, depois subia pro Arara. Pulava da torre pra tomar banho e atravessava o rio direto” (Sapo, 2025).

As brincadeiras ocupavam papel central na vida de Rogério, consolidando amizades e o sentimento de integração à comunidade:

“A gente brincava muito: jogava bola, fazia golzinho, soltava pipa, brincava de salve-entorno” (Sapo, 2025).

Ele expressa gratidão por esse período, reconhecendo a importância da família, dos amigos e do território em sua formação:

“Uma infância da qual não tenho do que reclamar. Só tenho a agradecer” (Sapo, 2025). formar adversidade em luta, luta em vitória e vitória em legado.

Em entrevista concedida a Samio, em 23 de dezembro de 2025, Dona Valdelice, mãe de Rogério, relata os desafios do cuidado familiar a a dedicação que marcaram sua trajetória

Eu trabalhava de dia, e depois de tarde e à noite, sempre me mexendo, como se o mundo quisesse me provar. Às vezes, quando todos iam para casa almoçar, eu me deitava sobre um pedaço de papelão e fechava os olhos por alguns minutos. Era pouco tempo, mas suficiente para recuperar forças e continuar o trabalho. Trabalhei tanto no Chaplin quanto na roça, fazendo de tudo com honestidade, garantindo que todos tivessem o que comer e vestir. Cada pequena vitória parecia enorme diante das dificuldades que enfrentávamos.

Meu companheiro, pai dos meus filhos, morreu muito jovem, com pouco mais de trinta anos. A tristeza estava sempre comigo, mas eu não podia demonstrar isso para as crianças. Tinha que cuidar deles e dos sobrinhos, enfrentando cada dia com força e coragem.

Rogério sempre foi muito ativo. Quando os meninos brigavam, as pessoas me chamavam, e eu deixava tudo para ir. Mas, assim que eu chegava, eles paravam na hora. Era coisa de criança, da descendência, e eu sabia que precisavam apenas de limites e cuidado.

Chorava apenas diante de Deus, mas seguia firme, equilibrando dor e amor, cansaço e esperança. Cada sorriso das crianças, cada pequena conquista, era a recompensa pelo esforço que fazia.

Hoje sou feliz. Todos os meus filhos têm casa própria, trabalho, e alguns até carro ou moto. O que importa mesmo é saber que cumpri minha missão, e a fiz bem feita, com louvor.

Eu era jovem, mas precisava ser forte mesmo quando tudo parecia impossível. Meus filhos eram meus tesouros, e nunca passou pela minha cabeça deixá-los de lado. Tenho três filhos e duas filhas: Jailton, Robson, Renata e Lúcia.

Além deles, cuidei de vários sobrinhos e sobrinhas, oferecendo carinho, correção e atenção, sempre fazendo o melhor para cada um deles. Todos receberam amor e dedicação, como se fossem parte da minha família.

INÍCIO NO BOXE E TRAJETÓRIA ESPORTIVA

O envolvimento de Rogério com a capoeira foi decisivo para sua aproximação ao boxe. Um mestre da capoeira, Tal, o convidou para participar de um evento em Itagibá, marcando o início de sua trajetória esportiva:

“Ô, Sapo, tu gosta tanto de luta, gosta de brigar, né? Por que tu não vais pra esse campeonato?” Disse o mestre, incentivando-o.

Rogério ainda não treinava boxe sistematicamente, mas já tinha referências da modalidade pelo pai, que era boxeador e faleceu muito jovem, quando ele ainda estava na barriga da mãe. Embora nunca o tenha conhecido, o amor pelas lutas veio dele de forma indireta.

Rogério iniciou sua trajetória no boxe com Uela, que veio de São Paulo para Japomirim, na Bahia, e lhe ensinou os primeiros golpes nos fundos de sua casa. Moura treinava junto, e cada soco e cada exercício representavam aprendizado e disciplina.

Logo depois, seus irmãos, Jai e Robson, passaram a treinar nos fundos da casa de Sapo, utilizando pesos e até luvas improvisadas, enquanto seus primeiros alunos, como Isaac Perninha, Iago, Lucas e Gabão e Uri, ligado ao Muay Thai. Posteriormente, o grupo começou a frequentar sua primeira academia. Rogério também foi aluno de Zé Grilo, aperfeiçoando suas técnicas no Muay Thai.

Cada treino representava um processo de superação e formação. Entre golpes e desafios, Rogério fortaleceu o corpo e o caráter, passando dos fundos de casa a casa de Sapo e à primeira academia, etapas fundamentais para a consolidação de sua trajetória no esporte.

A primeira grande oportunidade surgiu em um campeonato regional em Itagibá. Sem dinheiro para transporte, Rogério enfrentou sozinho os 22 quilômetros de bicicleta até o evento, movido pela coragem e determinação de quem sonha grande. Chegando lá, encontrou lutadores experientes de Vitória da Conquista, Itagi e Jequié. Mesmo sem experiência oficial, lutou duas vezes no mesmo evento e venceu ambas, saindo campeão e com a certeza de estar no caminho certo.

O mestre Tal foi fundamental nesse começo, abrindo portas e incentivando cada passo de Rogério. Pouco depois, em Ipiaú, enfrentou Saulo, conhecido como Perereca. Para a torcida local, seria a primeira luta oficial de Rogério, mas ele já acumulava pequenas batalhas improvisadas e muita coragem. Venceu no primeiro round, transformando a rivalidade esportiva em amizade duradoura.

Cada pedalada, cada soco, cada treino com Uela e Moura, cada incentivo do mestre Tal, formou a base de sua carreira. Esse início, repleto de desafios e aprendizados, moldou Rogério e pavimentou o caminho para tudo que viria depois.

No Ringue: Sapo Vs. Saulo (Perereca) — Uma Luta De Profissionalismo e Respeito

Sandro, irmão de Saulo Perereca, em saudosa memória, sempre incentivava a realização da luta, entre mim Perereca, vindo de Salvador, mas natural de Ipiaú, trazia a bagagem e a habilidade características do boxe. No combate, venci por nocaute no primeiro round, resultado que faz parte do esporte e do alto nível dos profissionais envolvidos. O que acontece no ringue, permanece no ringue. O boxe, acima de tudo, preza pela ética, pelo respeito e pelo profissionalismo.

A partir dali, comecei a nocautear adversários e consolidar minha reputação. Minha primeira chance em Itagibá veio graças ao mestre Tal. Depois da luta com o Saulo, participei de mais cinco ou seis combates na região. A luta mais difícil que tive foi contra o Tyson Tigre, que já era campeão baiano e brasileiro e tinha enfrentado nomes como Todo Duro e Holyfield. Eu ainda estava no começo, mas consegui vencer, e isso marcou minha trajetória local.

Chegar em Salvador foi mais do que mudar de cidade; foi entrar em um novo mundo. No início, treinava em Ipiaú com Ricardo Tannus, que me preparava para desafios maiores, enquanto Buck me incentivava a nunca desistir e me apoiava de várias maneiras. Foi nesse período que conheci Luiz Cláudio e atletas de destaque como Popó, Cigano e Luiz Dória, que deixaram marcas profundas na minha trajetória.

No começo da carreira, o apoio era quase inexistente, mas Luiz Cláudio me acolheu e me mostrou que eu podia ir mais longe. Treinar com Popó, um boxeador extremamente duro e talentoso, foi desafiador, mas cada treino fortalecia minha determinação. Com muito esforço, conquistei títulos importantes no cenário nacional e internacional, tornando-me campeão baiano, brasileiro, latino-americano e americano. Minha carreira ganhou dimensão global quando lutei de forma independente no Canadá e nos Estados Unidos, alcançando o ranking entre os dez melhores boxeadores do mundo na minha categoria.

Minha chegada aos Estados Unidos foi decisiva. Jan, como chamávamos Luiz Cláudio, me viu lutar em Itagibá e não hesitou em me convidar para treinar lá. Aceitei imediatamente. Em Nova Iorque, mergulhei em uma rotina intensa: conheci diversas academias, treinei com grandes atletas e participei de preparatórios rigorosos. Cada luta era uma prova de superação, e todas foram vencidas. Ali conquistei um cinturão importante e alcancei o título de campeão americano, coroando anos de dedicação, disciplina e paixão pelo boxe.

A JORNADA DE UM LUTADOR: GRATIDÃO A QUEM FEZ PARTE DO CAMINHO

Quero expressar minha profunda gratidão a todas as pessoas que fizeram parte da minha trajetória. Cada apoio, ensinamento e gesto de confiança foram fundamentais para eu chegar até aqui.

Agradeço a Buck e a Marcos Pina, que sempre acreditaram em mim e me apoiaram no início da minha carreira, naquele momento em que eu estava adquirindo experiência na vida e no esporte. Buck esteve ao meu lado em cada passo, e Marcos promoveu minhas primeiras lutas aqui em Ipiaú, Bahia e região. Em saudosa memória, ele foi o primeiro promotor a apostar em mim, ajudando a construir todo esse processo.

Também quero reconhecer Paulo Rasta, Ricardo Tannus e Alexandre, que estiveram ao meu lado em momentos decisivos. A Vladimir, goleiro profissional que atuou no Santos e no Avaí, devo importantes oportunidades que se abriram em minha jornada, especialmente em 2018.

Minha aluna há 20 anos, Fabiana foi uma das pessoas que me incentivaram naquele início.

Isso ficou marcado não só na memória, mas no coração. Sua participação foi fundamental na minha carreira. Devido ao esquecimento da memória neste momento, não consigo citar todos os nomes, mas todos e todas foram especiais.

Sou grato a Acelino “Popó” de Freitas e Luiz Cláudio, que me deram oportunidades no Boxe Brasil. Foi nesse espaço que conquistei títulos, cresci como atleta e aprendi com referências do boxe nacional e internacional. Cada luta, treino e conselho contribuiu para minha construção.

Minha mãe, uma mulher de coragem incomparável, enfrentou inúmeras lutas para criar seus filhos. Sua força é um exemplo que levo comigo todos os dias. Minha esposa, Tizza Yasmin, minha companheira de vida. Juntos, construímos nossa academia, um espaço que sustenta e inspira tantos os alunos e alunas. Esse projeto é fruto de dedicação, amor e trabalho conjunto, e representa a força da nossa parceria em todos os sentidos.

Sempre cuidei da saúde física e mental, evitando golpes que pudessem comprometer meu cérebro. Aprendi que é possível preservar corpo e mente enquanto se busca excelência no esporte e na vida.

Sou grato a todos que colaboram com meu trabalho e minha vida, especialmente meus alunos, que tornam possível manter a academia funcionando e alcançar meus objetivos. Celebro cada pessoa que faz parte desta caminhada, pois um projeto sólido depende de dedicação, apoio e aprendizado constante.

Agradeço também a todos que atravessaram minha vida esportiva e deixaram ensinamentos: meu primeiro companheiro de treino, meus ex-alunos e alunas, os atuais alunos e alunas, e o amigo John Carlos, americano, pela amizade e apoio nos Estados Unidos.

Por fim, agradeço aos meus oponentes de ringue. Sem eles, minha carreira não seria possível. Cada um deles é um verdadeiro guerreiro, e tenho profundo respeito pela história de cada um. Fui muito longe, mesmo quando oportunidades maiores não surgiram. Com o apoio das pessoas citadas e de tantos outros abnegados, fiz tudo ao meu alcance. Um jovem do interior, com grandes sonhos e cercado de pessoas que acreditaram em seu potencial, pode ir além do que imagina. Cada luta, conquista e aprendizado são frutos de uma caminhada feita com coragem, disciplina e, acima de tudo, gratidão.

  1. ROBSON PEREIRA, IRMÃO DE ROGÉRIO, COMPARTILHOU MEMÓRIAS FAMILIARES QUE REVELAM AMOR, LUTA E PERSEVERANÇA (COMUNICAÇÃO PESSOAL, 23 DE DEZEMBRO DE 2025).

Robson Pereira, irmão de Rogério, fala com emoção quando recorda a trajetória da família: “Falar da família Pereira me emociona tanto que às vezes vêm lágrimas aos olhos. Passamos por muitas dificuldades, enfrentamos altos e baixos, e rompemos muralhas que pareciam impossíveis. Perdemos nosso pai cedo, e isso tornou a vida ainda mais desafiadora. Mas, como dizem, Deus abre a porta que ninguém pode fechar” (PEREIRA, 2025).

Ele lembra com orgulho do irmão: “Rogério conquistou títulos internacionais, mas nada disso seria possível sem a força da nossa mãe e o esforço de toda a família. Mesmo magrinho e frágil, ele se tornou um homem forte, lutador e campeão” (PEREIRA, 2025).

A narrativa de Robson revela uma família marcada pelo trabalho na roça, pelas dificuldades após a morte precoce do pai e pela discriminação, mas que supera os desafios com união e amor. Ele destaca com carinho Rogério, Renata, Jailton, Lúcia e todos os primos e tios, mostrando que o que sustenta a família é a força e o amor compartilhados entre todos.

JAILTON (JAI), IRMÃO DE ROGÉRIO, NARROU MEMÓRIAS DA INFÂNCIA E DA TRAJETÓRIA FAMILIAR, DESTACANDO O PAPEL DO BOXE NA VIDA DA FAMÍLIA (COMUNICAÇÃO PESSOAL, 23 DE DEZEMBRO DE 2025).

Jailton (Jai): Ah, nossa infância foi maravilhosa, sabe? O boxe entrou na nossa vida por causa do nosso pai. A gente começou a treinar meio que do nada. Na rua, quando éramos mais novos, brigava muito… e foi daí que começou o treino. Jai, eu sou o irmão mais velho. Fui treinador do Sapo por muito tempo. Na prática, eu que acompanhava ele todo dia, passava as dores com ele, estava sempre junto. Era aquele apoio, sabe? A gente por nós mesmos.

SAMIO CÁSSIO: COMO FOI IR PARA SALVADOR, JAI? QUANTOS IRMÃOS VOCÊS TÊM?

Jai: Isso. Ele foi pra Salvador e me levou pra treinar na academia de Popó. Lá eu fiz um teste… que era uma luta. Fiz a luta e passei. A partir daí começaram a surgir oportunidades. tive a chance de ir pros Estados Unidos. O cara queria um lutador de peso pesado. Eu até ia, mas já tinha família, filhos… então acabei deixando o boxe competitivo de lado. Mas, ó, o boxe sempre foi tudo na nossa vida. Jai: Somos três homens e duas mulheres.

Entrevistador: e na adolescência, entre alguns fights, vocês faziam amizade fácil?

Jai: Pois é… a gente se metia em algumas briguinhas, sim. Mas também tinha muitos amigos. Não era como hoje, que tudo se resolve na base da violência. Antigamente era diferente. Eu não curtia confusão, mas me envolvia, e ainda assim tinha muita amizade.

Entrevistador: e hoje em dia, em Ipiaú/Japomirim, como anda o boxe na região?

“Jai: Aqui a gente treinava junto, mas hoje o boxe cresceu muito. Temos professores formados, como o Gabão, que foi meu aluno, além de Iago e Coi. Sempre treinávamos juntos, fazendo sparring, e os senseis Ricardo e Alexandre davam muito apoio ao Sapo e a todos que treinavam. Era uma troca constante de conhecimentos.

Essa interação foi fundamental para a evolução do esporte na região. Embora eles venham do MMA Ricardo, Alexandre, Jiu Jitsu, Muay Thai, entre outros sempre foram parceiros do boxe, mostrando como aprendíamos uns com os outros. Apesar de Japomirim pertencer ao município de Itagibá, nossa ligação com Ipiaú sempre foi muito forte: a proximidade geográfica e o convívio diário criaram uma relação que vai além de limites administrativos.”

O número de pessoas praticando esportes cresce a cada dia, com o boxe, o MMA e as corridas conquistando cada vez mais adeptos. Apesar desse avanço, ainda falta investimento real para que o esporte alcance todo o seu potencial.”

ENTRE PUNHOS E DECISÕES: O CAMINHO DE TYSON E SAPO, OS GIGANTES DO BOXE

Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Mike Tyson e Canelo Álvarez, mas o encontro mais marcante foi com Tyson. Chegamos a almoçar juntos; foi ele quem demonstrou curiosidade em conhecer o chamado “Mike Tyson brasileiro”. Diferente da imagem construída pela mídia, mostrou-se extremamente humilde, atencioso e interessado em tudo o que eu contava. Foi uma experiência inesquecível.

No Canadá, enfrentei um grande desafio. Eu era campeão na categoria Meio-Médio (69 kg), mas fui colocado para lutar com 66 kg, precisando perder três quilos no mesmo dia. Com o corpo enfraquecido, acabei derrotado. Ainda assim, a luta trouxe um aprendizado profundo sobre disciplina, adaptação e resiliência.

Sou fã de grandes nomes do mundo das lutas, como Manny Pacquiao, Floyd Mayweather Jr. e Mike Tyson, e sempre sonhei em alcançar conquistas significativas nesse universo. Destaco, mais uma vez, a chegada de Vladimir foi um encontro importante em um momento difícil da minha carreira.”

Após nossa conversa durante uma comemoração, ele me convidou para ir a São Paulo e custeou toda a viagem. Aceitei o convite e, fiz duas lutas na cidade, enfrentei adversários experientes, conquistando vitórias importantes. Esse período reforçou para mim que oportunidades são sempre valiosas e que aproveitá-las com dedicação faz toda a diferença. Permaneci lá por algum tempo.

GABÃO, POR TELEFONE, COMPARTILHOU HISTÓRIAS E EXPERIÊNCIAS QUE REFLETEM A CULTURA E OS VÍNCULOS DA FAMÍLIA (COMUNICAÇÃO PESSOAL, 23 DE DEZEMBRO DE 2025).

Ele é referência no esporte e exemplo em Ipiaú. Lembra que Sapo sempre se destacou na capoeira e, posteriormente, no boxe, iniciando sua trajetória em Itagibá e se aprimorando em Ipiaú com treinadores como Ricardo Mudo e Jacó de Salvador, que também treinou Sapo. Gabão ressalta o nocaute histórico contra Tyson Tigre, mesmo com pouca experiência. Para ele, Sapo foi mais do que um lutador: abriu uma academia e transmitiu disciplina, dedicação e técnicas valiosas, deixando um legado que continua a influenciar todos os seus alunos.

CONCLUSÃO

Em conclusão, a história de Rogério Parreira, o Sapo, mostra como é possível vencer obstáculos na vida por meio da arte e do esporte. Ele enfrentou o racismo e as injustiças sociais que colocam pessoas negras em lugares de subalternidade, mas, mesmo assim, encontrou oportunidades através do boxe. Esse legado é grande, mas poderia ter sido ainda maior se o Brasil tivesse políticas públicas mais eficazes em educação e esporte.

É preciso investir mais, para que outros atletas que estão chegando não encontrem tantas dificuldades como Rogério enfrentou. Ele conseguiu superar os obstáculos graças à sua garra e ao apoio de algumas pessoas, mas isso não substitui a necessidade de um compromisso real de políticos e empresários com o esporte e a educação. Se isso acontecer, as injustiças tendem a diminuir, e o Brasil poderá se tornar uma potência no boxe e em outros esportes. Outros Rogério estão por aí, aguardando uma oportunidade.

Memórias de familiares e amigos também ajudam a contar essa história, mostrando que, por trás de cada conquista, existe uma rede de apoio e experiências que fazem parte da vida do atleta.

Samio  Cássio é professor e historiador ipiauense

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