“Transmitimos aos britânicos informações que indicavam que iria ocorrer um ataque, um ataque orquestrado pelo Irão. E praticamente no dia seguinte, impuseram-nos sanções”, disse o líder israelita em declarações à estação norte-americana Fox News, hoje citadas pelas agências internacionais.
Netanyahu lamentou a situação que classificou como “absurda”, indicando que tal foi gerada pela “propaganda anti-israelita”.
No início de setembro, o Governo britânico anunciou medidas para proibir a importação de produtos provenientes dos colonatos israelitas da Cisjordânia, encarados como ilegais à luz do Direito Internacional.
Em resposta a estas medidas, Israel anunciou o encerramento do consulado britânico em Jerusalém, o que marcou uma deterioração das relações entre Israel e o Reino Unido.
As sanções britânicas, às quais se juntaram outros países europeus (como Portugal e França) e não europeus (Canadá), surgem num contexto de fortes tensões entre Israel e numerosos países, nomeadamente na Europa, indignados com a intensificação da violência perpetrada pelos colonos israelitas e com um vasto projeto de expansão da colonização no território ocupado desde 1967.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou na quarta-feira existirem “fortes indícios” do envolvimento de Teerão no incidente ocorrido no domingo perto da base aérea de Fairford, no sudoeste de Inglaterra, usada pelo exército norte-americano na sua guerra contra o Irão.
Cinco homens, cidadãos britânicos com idades compreendidas entre os 23 e os 25 anos, foram detidos, inicialmente suspeitos de “violações da lei sobre explosivos”, bem como de “preparação de um ato terrorista”, antes de serem libertados sob caução na segunda-feira.
Entretanto, outro homem de 27 anos com dupla nacionalidade britânica e iraniana foi detido hoje em Londres, também por planear um ataque terrorista, no âmbito da mesma investigação.
O Irão negou “categoricamente” na segunda-feira qualquer ligação a este caso, e o embaixador britânico em Teerão, Hugo Shorter, foi convocado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, informou hoje a agência de notícias iraniana Irna.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Majid Takht-Ravanchi, transmitiu a Shorter um “protesto veemente” de Teerão face aos comentários do chefe do executivo britânico, que considerou como “acusações infundadas”.
“A recente campanha de propaganda do Governo britânico, na qual são lançadas acusações infundadas sob o pretexto de uma suposta conspiração de sabotagem na base militar de Fairford, não pode, de forma alguma, ofuscar a (sua) cumplicidade na agressão militar contra a nação iraniana”, sublinhou Takht-Ravanchi, antes de insistir junto do representante de Londres que o seu país “deve responder pela sua participação no crime de agressão e nos crimes de guerra” cometidos pelos Estados Unidos e por Israel desde fevereiro passado.
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