O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca já havia convocado o embaixador russo no país, Vladimir Barbin, denunciando que uma fragata da Rússia tinha disparado a 14 de setembro dois foguetes sinalizadores contra um helicóptero militar dinamarquês em águas internacionais, ao largo da costa do país europeu, sublinhando que um deles passou “a pouca distância” da aeronave.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, teceu duras críticas à Rússia por “uma ação imprudente” contra o helicóptero, que realizava “um voo de rotina”.
Hoje, o ministério russo veio contradizer a versão de Copenhaga e apresentar um “protesto enérgico” ao representante dinamarquês, Rolf Holmboe, atribuindo a responsabilidade pelo incidente à tripulação do helicóptero.
“Todas as advertências sobre a altitude perigosa do helicóptero, transmitidas repetidamente pela tripulação russa em frequências internacionais, foram ignoradas. Para chamar a atenção, a corveta disparou dois sinalizadores na direção oposta ao helicóptero; após isso, a aeronave cessou as suas ações provocadoras e deixou a área próxima ao navio”, afirmou o ministério em comunicado.
A pasta liderada por Sergei Lavrov classificou como “inaceitáveis e absurdas” as acusações das autoridades dinamarquesas sobre o incidente e ameaçou que «o aumento da atividade militar antirrussa da NATO» poderá «provocar uma escalada e gerar o risco de um incidente grave”.
A Dinamarca tem sido um dos principais apoiantes a Ucrânia no contexto da invasão russa iniciada em 2022, facto que levou a uma degradação acentuada das relações com Moscovo.
Os países da NATO estão preocupados com o aumento dos ataques híbridos atribuídos à Rússia nos seus territórios e reforçaram a sua presença militar, especialmente nas fronteiras orientais da Aliança.
A União Europeia (UE) manifestou na terça-feira “total solidariedade” com a Estónia, depois de Tallinn ter acusado o Kremlin de ordenar um ataque incendiário contra um fabricante de drones.
“A Rússia tem vindo a intensificar os ataques junto das nossas fronteiras, e as ameaças diretas ao nosso território são cada vez mais frequentes”, afirmou o porta-voz da Comissão Europeia Christian Wigand.
“Moscovo procura, assim, intimidar a Europa para que reduza o seu apoio à Ucrânia, mas isso não vai acontecer”, acrescentou o porta-voz.
Também o Presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou este episódio como uma “perigosa escalada imprudente” por parte da Rússia.
“A multiplicação destes atos hostis reflete uma perigosa escalada imprudente da Rússia, que apenas a levará a um beco sem saída”, escreveu o líder francês na rede social X, recordando o recente “incidente muito grave” no aeroporto de Leipzig, na Alemanha, alvo de uma tentativa de ataque envolvendo um drone carregado de explosivos.
“A Rússia deve saber que não vencerá nem a nossa unidade nem a nossa determinação em continuar a apoiar a Ucrânia”, acrescentou Macron, manifestando a “total solidariedade” da França para com a Estónia.
A Estónia, membro da NATO e da UE e aliada da Ucrânia, acusou os serviços de informações russos de terem ordenado um incêndio ocorrido em agosto nas instalações da Milrem Robotics, em Tallinn, especializada no desenvolvimento e fabrico de veículos terrestres não tripulados.
Também na terça-feira, a NATO condenou a “retórica nuclear irresponsável” da Rússia, após Moscovo enviar aos representantes da Aliança um documento ameaçando «usar todo o arsenal» disponível face a alegadas “provocações” contra o enclave russo de Kaliningrado.
“O uso de táticas híbridas pela Rússia é um sinal de desespero, mas não seremos dissuadidos do nosso apoio à Ucrânia”, adiantou.
A embaixada russa em Bruxelas publicou no X o conteúdo do documento, no qual a Rússia manifesta “preocupação” com o que considera “ações provocatórias” da NATO em relação a Kaliningrado, afirmando estar pronta para retaliar “com todo o seu arsenal” face a tais ações.
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