Miguel Poiares Maduro admitiu, na noite de segunda-feira, 28 de setembro, um cenário de imposição de restrições ao consumo energético, face ao agravamento da crise energética.
No programa “Conversa de Eleição” da Renascença, o ex-ministro do PSD reconheceu que os apelos do Governo à redução do consumo de combustíveis são fáceis de “ridicularizar”, porém, alertou, não devem ser desvalorizados.
“É uma iniciativa fácil de ridicularizar, mas não é necessariamente ridícula”, afirmou, em relação às declarações da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, e do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, lembrando que os apelos destes surgiram na sequência de um pedido da Comissão Europeia aos Estados-membros para redução de consumos.
“Nós já tivemos momentos em que houve medidas que os governos nacionais, em situações de crise como aquela de que nos estamos a aproximar, tiveram de adotar medidas bem mais agressivas de imposição de redução de consumo e limites de consumo”, recordou Poiares Maduro.
Perante o que já está a acontecer, o ex-ministro do PSD antecipa que em breve sejam tomadas “medidas mais duras”.
“Nós não estamos ainda nessa situação, mas podemos vir a estar”, disse, acrescentando que “não podemos excluir vir a ter uma situação mais grave que leve à imposição de medidas mais duras em termos de limites ao consumo”.
Para Poiares Maduro, “cada um de nós individualmente não tem impacto nenhum” na redução de combustíveis, “mas de forma agregada, ao nível europeu, tem”.
Já o antigo ministro das Finanças Fernando Medina defendeu que “o Governo, para fazer um apelo dessa natureza, tem de dizer mais. Tem de ser claro sobre a razão por que está a fazer esse apelo”.
“Sem dar uma explicação que tenha a ver com a necessidade de reforçar reservas do país, parece mais algo destinado a colmatar a impotência que o Governo apresenta relativamente à subida dos preços”, reparou, acrescentando que “as pessoas não precisam que alguém lhes vá dizer, numa atitude um pouco paternalista, ‘vamos lá ver se se poupa'”, uma vez que os preços que estão a ser praticados já funcionam como incentivo ao ajustamento dos consumos.
Já sobre a transferência de 132 mil toneladas de combustível português para França, por falta de capacidade de armazenamento em Portugal, ao contrário do líder do PS, José Luís Carneiro, Fernando Medina disse que não tem “razões para duvidar que o Governo faça a gestão adequada das reservas estratégicas do país”.
“Não vislumbro que um governo não faça isso sobre as reservas do seu próprio país num momento de dificuldade”, reiterou, salientando que “nós temos é de saber avaliar e o Governo tem que monitorizar muito bem os níveis das reservas do país, das reservas que o país dispõe, sabendo que numa situação de uma crise muito aguda elas têm uma dimensão sempre limitada face ao que é o consumo geral do país”.

Há ou não escassez de combustível? Ministra responde e dá… duas dicas
A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, afirmou que Portugal não enfrenta escassez de combustíveis, apesar de alertar para o aumento do consumo e para a necessidade de poupança.
Notícias ao Minuto com Lusa | 07:06 – 24/09/2026



