“Se alguém me perguntasse se estou em pânico: não, não estou. Durmo bem à noite”, referiu aos jornalistas no avião que o transporta de regresso após a sua visita de quatro dias a França.
“No entanto, acredito que as preocupações expressas por muitos especialistas em IA devem ser levadas a sério”, acrescentou.
Durante a sua viagem apostólica a França, o papa alertou repetidamente para a necessidade de proteger a humanidade face à IA.
“Para não perdermos a nossa humanidade no meio do ‘paraíso das máquinas’ que invadem e condicionam o nosso quotidiano, é urgente formar as mentes para um discernimento ético”, declarou num discurso na sexta-feira, em Paris.
O debate sobre os riscos associados a esta tecnologia intensificou-se nos últimos meses, alimentado por vários incidentes e alertas apocalípticos por parte dos profissionais do setor.
No avião, o papa sublinhou hoje que estes alertas não são “fake news”, ao contrário do que alguns alegaram, destinadas a provocar reações por motivos financeiros ou para obter outro tipo de vantagem.
“É um problema que, na minha opinião, devemos discutir em conjunto”, referiu, acrescentando: “Limitar-se a dizer ‘ah, isso não vai acontecer’ e fechar os olhos à questão não é, provavelmente, a meu ver, a forma mais responsável de agir”.
Na encíclica “Magnifica Humanitas” (Humanidade Magnífica), publicada em maio, o chefe da Igreja Católica lançou um apelo contundente para “desarmar” a IA, de forma a “impedi-la de dominar o ser humano”.
Nos últimos meses, a Santa Sé intensificou também as suas intervenções e iniciativas em prol de uma governação internacional da IA fundamentada na dignidade humana, especialmente nos domínios da tecnologia nuclear, da cultura e da criação artística.
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