A projeção para este ano, num cenário de políticas invariantes, representa revisão em alta face ao projetado em abril (1,6%), “refletindo a resiliência da economia perante as tempestades atlânticas e o choque energético associado ao conflito no Médio Oriente e ao encerramento do estreito de Ormuz, que provocou uma grave disrupção no abastecimento global de petróleo”, explica o CFP, em comunicado.
De acordo com os cálculos da entidade, o impacto nos preços da guerra no Irão penalizou a balança comercial em 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB).
O segundo semestre do ano enfrenta “condicionantes externas adversas”, como o regresso às operações militares no Golfo Pérsico, a seca que atinge cerca de metade do território da União Europeia e a orientação mais restritiva do Banco Central Europeu, após a subida de juros.
Ainda assim, segundo o CFP, o aumento do investimento público, estimado em cerca de 22,3% em termos nominais, associado ao termo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), “deverá contribuir para mitigar parcialmente o impacto dos choques externos”.
Além disso, a composição do crescimento, suportada pelo consumo privado, “aponta para que as famílias tenham utilizado as suas poupanças para absorver, em parte, o aumento da despesa em combustíveis, num momento em que o mercado de trabalho se encontra numa situação de pleno emprego”.
Esta projeção é mais otimista do que a estimativa mais atualizada do Governo, que aponta para um crescimento de 2% da economia este ano.
Para 2027, projeta-se um crescimento de 1,8%, de 1,7% em 2028-2029 e 1,6% em 2030.
Como explica a instituição, “com saldos migratórios menos positivos e o envelhecimento da população a limitarem o crescimento da população em idade ativa, o crescimento do emprego desacelera para 1,1% em 2027, e estabiliza em torno de um crescimento nulo em 2030, enquanto a taxa de desemprego deverá permanecer em torno de 5,7% da população ativa no período 2027-2030”, enquanto a evolução projetada da população dá menor impulso ao consumo privado.
Desta forma, o crescimento “dependerá essencialmente de ganhos de produtividade”, alerta o CFP.
A instituição faz ainda a ressalva de que estas projeções têm como base as séries de população e emprego que ainda não foram atualizadas na sequência da revisão das estimativas de população residente do INE.

CFP prevê excedente orçamental de 0,2% em 2026 que passa a défice em 2027
O Conselho das Finanças Públicas (CFP) antecipa um excedente de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, ainda que sem considerar a redução de IRS, e um défice de 0,2% em 2027, nas projeções divulgadas hoje.
Lusa | 15:38 – 24/09/2026



