Em duas eleições regionais consecutivas, o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu em dois estados alemães: Saxónia-Anhalt e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, consolidando-se como principal força política em partes do leste alemão. O chanceler, Friedrich Merz, reconheceu o resultado como um “desastre”. Afinal, o que se passa na Alemanha?
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD venceu com 38,2% dos votos, seguida do SPD, com 35,5%. A CDU obteve apenas 4,9%, ficando abaixo do limiar de 5% necessário para entrar no parlamento regional, naquele que foi o pior resultado da CDU numa eleição regional desde a fundação da República Federal da Alemanha, em 1949. O partido ficou, pela primeira vez, fora do parlamento regional de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
O chanceler alemão reconheceu que o resultado da CDU nestas eleições regionais foi “um desastre”, mas rejeitou qualquer recuo na agenda de reformas do governo e afastou a possibilidade de deixar o cargo.
AfD prevê saída de Merz até “ao final do ano”
Apesar de Friedrich Merz ter dito que não deixará o cargo de chanceler, um dirigente da AfD previu, esta segunda-feira, que o governante já não estará no poder “no final do ano”.
“O crepúsculo do chanceler começou”, disse em conferência de imprensa Leif-Erik Holm, que venceu no domingo as eleições regionais em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste da Alemanha.
Holm acrescentou que “o chanceler não chegará certamente ao final do ano”.
Chanceler invoca “futuro democrático”
Também esta segunda-feira, Friedrich Merz prometeu manter a coligação governamental com os sociais-democratas, afirmando que está em causa o “futuro democrático” da Alemanha após as derrotas dos conservadores nas eleições regionais de domingo.
“Estamos determinados, em conjunto, a estar à altura dos desafios históricos que o nosso país enfrenta. Trata-se, nada mais nada menos, do futuro democrático do nosso país”, declarou aos jornalistas.
Também o porta-voz adjunto do Governo de coligação formado pela CDU, pela sua aliada bávara União Social-Cristã (CSU) e pelo Partido Social-Democrata (SPD), Sebastian Hille, assegurou que pretende continuar no poder apesar das derrotas sofridas.
Porque aumentou a pressão sobre Merz?
A CDU, partido do chanceler alemão, ficou fora do parlamento de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e sofreu também uma pesada derrota em Berlim, ainda que num contexto diferente – perdeu a liderança para o partido de esquerda Die Linke.
O custo de vida, as pensões e a situação da economia alemã estão no cerne deste descontentamento por parte do eleitorado.
Estes resultados, que denotam grande erosão do centro político, aumentam a pressão sobre Merz e abrem um debate sobre liderança e estratégia.
Mas atenção: não estão em causa apenas os maus resultados regionais. O chanceler alemão tem registado níveis historicamente baixos de popularidade, ao mesmo tempo que enfrenta grande contestação à sua agenda de reformas económicas e sociais, num contexto de crescimento da AfD nas sondagens. Até dentro da coligação há divergências, com o SPD a manifestar reservas quanto a algumas reformas defendidas pelos conservadores, nomeadamente ao nível das pensões e da saúde.
“Estamos quase perante as ruínas dos grandes partidos populares”, considerou Karl-Rudolf Korte, especialista em partidos da Universidade de Duisburg-Essen, numa análise no canal público ZDF, apontando também para um “declínio de autoridade” do chanceler Friedrich Merz, também líder da União Democrata-Cristã (CDU).
De salientar que as eleições regionais não alteram a maioria que sustenta o Governo no Bundestag (parlamento federal), nem têm consequências institucionais diretas para o Executivo de Merz. Mas, politicamente, aumentam a pressão e podem agravar as divergências dentro da coligação entre conservadores e SPD.

“Terramoto” na CDU aumenta pressão sobre Merz após derrotas
A CDU, partido do chanceler alemão, ficou pela primeira vez fora de um parlamento regional e sofreu uma nova derrota em Berlim, resultados que aumentam a pressão sobre Friedrich Merz e abrem um debate sobre liderança e estratégia.
Lusa | 15:10 – 21/09/2026



