Os produtores durienses concentram-se esta manhã em frente à sede do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), no distrito de Vila Real.
Uns seguram em tarjas de maior dimensão, enquanto outros exibem pequenos cartazes onde se podem ler mensagens como “Viticultores do Douro em luta, preços justos, contratos, escoar toda a produção”, “Vinho só o do Douro”, “A Região Demarcada do Douro merece ser tratada com dignidade”, “Só há Douro Património da Humanidade com os viticultores a viver com dignidade”, “É urgente novas políticas para defender os pequenos e médicos produtores do Douro” e “O Douro não está à venda”.
Num ano em que se prevê um aumento de produção na região na ordem dos 25% e em que há quintas já a cortar as uvas mais precoces, os pequenos e médios produtores destacam preocupações crescentes com a venda das uvas.
“Já há viticultores a queixarem-se de que não lhes querem nem as uvas para vinho do Porto nem as uvas para o vinho de mesa. Esta manifestação é, por isso, mais do que justa”, afirmou o presidente da Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense (Avadouriense), Vítor Herdeiro.
O responsável reforçou que “há viticultores a receber cartas a dizer que nem sequer querem ficar com as uvas para o vinho do Porto”, uma situação que se repete há três campanhas e que ganha escala neste ano de aumento de produção.
“A única diferença entre este ano e o ano anterior é que a essas cartas chegaram mais tarde um pouco, mas acabaram por chegar, o que só demonstra que é necessário traçar aqui outro caminho para que haja capacidade de valorizar a produção não só pagando aos viticultores condignamente, mas também usando essa matéria-prima na produção de um produto regional”, afirmou Vítor Rodrigues, dirigente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Para ajudar os produtores, Vítor Rodrigues reclamou a implementação da medida uva para destilar, indo ao encontro de uma recomendação ao executivo – que não tem força de lei – aprovada em julho na Assembleia da República com os votos a favor do PSD, Chega, PS, Livre, PCP, CDS-PP, BE, PAN, JPP e a abstenção da IL.
A medida uva para destilação foi implementada pelo Governo, pela primeira vez, na vindima de 2025, estabelecendo um apoio de 50 cêntimos por quilo de uva que os viticultores entregaram para produção de vinho para destilação.
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