A sua demissão, em meados de julho, desencadeou uma vaga de protestos que levou Zelensky a substituir também o comandante do Exército, Oleksandr Syrsky, que Fedorov apontou como adversário na condução da guerra contra a invasão russa, iniciada em fevereiro de 2022.
Cumprindo a promessa de prosseguirem os protestos, manifestantes marcharam hoje à noite na capital ucraniana, entoando o nome do ex-ministro de 35 anos e o ‘slogan’ “Tragam-no de volta!”, relatou a agência France-Presse (AFP).
“Queremos que um gestor eficiente regresse”, comentou Iryna Tkachuk, de 38 anos, à AFP, transportando um cartaz com a mensagem “A velha senhora é surda?”, em alusão a Zelensky.
A manifestante alertou que já houve “exemplos de protestos que duraram mais de um mês” para justificar a confiança de que, “se a perseverança das pessoas não vacilar, é possível” que o líder ucraniano atenda às reivindicações.
Mykola, um manifestante de 42 anos que preferiu não revelar o apelido, afirmou acreditar que “a destituição de Fedorov ainda não é clara” e exigiu mais explicações de Zelensky, considerando que o diálogo com a presidência “não está encerrado”.
Fedorov demitiu-se no âmbito de uma remodelação governamental do cargo que ocupou durante apenas seis meses, devido a desentendimentos com o chefe das Forças Armadas, que acusou de procurar dividir a Ucrânia.
Perante os sinais de divisão e da realização de protestos, Volodymyr Zelensky pediu a preservação da unidade no comando militar e compreensão das suas escolhas.
“Um Presidente em tempo de guerra não devia ter de escolher numa situação destas, honestamente. Desejaria muito vivamente a unidade. Ambas as partes não a encontraram”, declarou o chefe de Estado ucraniano
Fedorov recusou a proposta do líder ucraniano para se tornar vice-primeiro-ministro para a inovação militar e, num comunicado citado pela agência de notícias Ukrinform, sustentou que apenas o Presidente, o chefe do Exército e o ministro da Defesa têm uma influência decisiva sobre o rumo da guerra.
“É por isso que não aceitarei qualquer outro cargo que não seja o de ministro da Defesa”, afirmou Fedorov.
O ex-ministro da Defesa argumentou também que nenhum outro cargo tem autoridade real para combater a corrupção nas aquisições, para a transformação completa do Exército e para executar operações assimétricas contra a Rússia, bem como “erradicar a cultura de mentiras e falta de responsabilidade dentro do sistema”.
Numa entrevista concedida esta semana ao portal de notícias Ukrainska Pravda, acrescentou que as suas tentativas de tornar o sistema de compras do exército mais transparente “desagradaram a muita gente” e sugeriu que isso pode ter contribuído para a sua demissão.
Fedorov foi substituído por Yevgeny Khmara, um oficial dos serviços de segurança sem experiência política, enquanto Syrsky deu lugar ao oficial de carreira Mikhail Drapatyi, que aos 43 anos é visto como um nome em destaque numa nova geração de generais.
O parlamento ainda não votou as alterações no executivo e nenhuma sessão está agendada neste momento.
Durante a manifestação de hoje, soou um alerta de ataque aéreo, mas poucas pessoas reagiram, embora os organizadores do protesto tivessem avisado que o evento seria cancelado em caso de ameaça de bombardeamentos russos.
Pelo menos uma explosão foi também ouvida na capital, segundo a AFP, antes de o alerta ser levantado por volta das 20:30 locais (18:30 em Lisboa).
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