O aumento das viagens canceladas por falta de motoristas surge no documento em que os Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) propõem uma redução da oferta no período de agosto, face aos cada vez maiores constrangimentos com recursos humanos.
Nesse documento, a que a agência Lusa teve acesso, é referido que a perda progressiva de motoristas ao longo dos últimos anos nos SMTUC ainda não estancou, registando-se, no primeiro trimestre, menos 13 motoristas do que em 2025, numa altura em que aquele serviço de transportes já apresentava carência de tripulantes.
“A insuficiência de tripulantes tem-se traduzido num aumento muito expressivo do número de viagens não realizadas”, salientam os SMTUC, no documento que será debatido em reunião do executivo na segunda-feira.
Dando como exemplo o primeiro trimestre deste ano, os SMTUC registam um total de 635 viagens não realizadas por falta de motoristas, quando no período homólogo de 2025 esse número foi de 37 viagens, “correspondendo a um aumento de 1716,2%”.
Face à falta de recursos humanos, os SMTUC viram-se obrigados a recorrer cada vez mais ao trabalho suplementar, referindo que houve um aumento de 31% no primeiro trimestre de 2026, face ao período homólogo de 2025.
Ao mesmo tempo, neste primeiro trimestre registaram-se 3.166 dias de ausência relacionados com férias, compensações de horas e tolerâncias de ponto, a que acrescem 67 dias por greves ou plenários e 1.682,9 dias por outros motivos, lê-se no documento.
Segundo a análise à atual situação, acresce ainda um total de mais de 15 mil dias de férias, compensações de horas e tolerâncias de ponto por gozar por parte dos trabalhadores dos SMTUC, “o que constitui um fator adicional de pressão na organização dos serviços e na elaboração das escalas”.
“Apesar dos esforços desenvolvidos pelos SMTUC no reforço do quadro de pessoal, através da abertura contínua de procedimentos concursais para admissão de Agentes Únicos de Transportes Coletivos [motoristas], não tem sido possível colmatar de forma estrutural a carência existente de tripulantes”, lamentam.
Nesse sentido, é proposta uma redução da oferta em agosto ajustada “à real capacidade operacional dos SMTUC”, uma revisão que acompanha outras feitas no passado, na altura também justificadas com a falta de motoristas.
Se o índice de regularidade em 2025 já tinha caído quase 6% face a 2024, a análise agora feita pelos SMTUC aponta para uma continuação dessa queda.
Segundo o documento consultado pela Lusa, o índice de regularidade teve um decréscimo para 87,8% no primeiro trimestre deste ano, o que “evidencia uma situação de incumprimento por parte dos SMTUC face aos níveis de desempenho desejáveis”.
Nesse contexto, “impõe-se a adoção urgente de medidas corretivas, orientadas para a mitigação dos impactos negativos na rede de transportes, designadamente através da otimização de recursos, com vista ao incremento da eficiência operacional na exploração do serviço público de transporte”, vincaram aqueles serviços.
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