Em comunicado, o sindicato referiu que, enquanto são apresentados projetos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em cerimónias dedicadas à “Transformação Digital nos Impostos sobre o Património”, persistem problemas operacionais básicos que fazem os funcionários perder “dias de trabalho a olhar para aplicações informáticas que funcionam mal”.
O STI destacou o caso das notificações das avaliações de prédios urbanos, que, segundo a estrutura sindical, continuam desde janeiro dependentes de procedimentos manuais devido a falhas informáticas ainda não resolvidas.
“Seis meses depois, acumulam-se milhares de notificações por emitir, com atrasos significativos e prejuízos para trabalhadores, contribuintes e agentes económicos”, afirmou o sindicato.
Outra situação apontada pelo STI é a alteração recente do modelo de notificação da liquidação do IRS, que, segundo o comunicado, não foi previamente anunciada aos trabalhadores e originou duplicação de trabalho, explicações repetidas aos contribuintes e retrabalho nos serviços locais.
O sindicato estabeleceu um paralelismo com os professores, defendendo que os trabalhadores da AT enfrentam diariamente “falhas estruturais, falta de meios e decisões políticas tomadas à distância”, sem que lhes seja dirigido qualquer pedido de desculpa.
Para o STI, este padrão repete-se em vários setores da administração pública, com medidas anunciadas “com pompa”, mas sem consideração pela realidade do terreno, o que resulta em mais carga de trabalho, atrasos e frustração para quem assegura o funcionamento dos serviços.
A estrutura sindical sustentou ainda que a verdadeira transformação digital deve traduzir-se em simplificação efetiva de procedimentos, ferramentas fiáveis e sistemas que funcionem.
Enquanto persistirem situações como a das avaliações patrimoniais, concluiu o sindicato, continuará a existir uma distância significativa entre a narrativa oficial da modernização da AT e a realidade vivida diariamente nos Serviços Locais de Finanças.
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