A tragédia que abalou a Venezuela na semana passada continua a desvendar histórias de partir o coração.
Uma delas é a de uma família venezuelana que morava há vários anos na Galiza, em Espanha.
Yhosvany Hernández Fernández, Adela Taberneiro García e os dois filhos Ulisses, de oito anos, e Lia, de nove, viajaram no sábado, dia 20 de junho, para La Guaira, com o intuito de visitar a família. Os quatro acabariam presos nos escombros e a comunidade anseia por notícias suas, noticia o La Voz de Galicia.
A comunidade de Marín, em Espanha, tem vivido de forma inquietante o desaparecimento desta família, que era muito querida na localidade onde vivia. Ali, o casal fundou, em 2021, o Clube de Hóquei Marinenses, de que Yhosvany é o treinador e Adela é a presidente.
A família deverá estar nos escombros de um edifício em Naiguatá, no setor de El Caribe. Segundo a irmã de Adela, que vive na Florida, nos EUA, o edifício terá de ser intervencionado “com gruas e maquinaria pesada”. Esta mulher já embarcou rumo à Venezuela onde espera obter mais informações sobre a família.
Esta segunda-feira, a Câmara Municipal organizou um minuto de silêncio em memória das vítimas dos abalos na Venezuela.
Por seu lado, a presidente da Câmara de Marín, María Ramallo, indicou que “não há novidades” sobre a situação desta família e que “as horas tornam-se cada vez mais difíceis e mais penosas”.
“Não temos absolutamente nenhuma notícia. Entrámos em contacto com membros da família, incluindo a família que reside aqui em Marín, e ninguém sabe de nada neste momento, mas não queremos perder a esperança”, afirmou a presidente da Câmara em declarações aos meios de comunicação locais após o minuto de silêncio.
Ainda há milhares de desaparecidos
Yhosvany, Adela e os filhos fazem parte das cerca de 50 mil pessoas que, segundo dados da ONU, continuam desaparecidas.
As Nações Unidas afirmaram que estão a coordenar mais de 2.000 socorristas enviados por 27 países para procurar sobreviventes sob os escombros, na sequência do duplo sismo que afetou a Venezuela na semana passada.
A ONU assumiu a coordenação da operação, em colaboração com o governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, depois de, na passada quarta-feira, a Venezuela ter sido atingida por dois sismos consecutivos, de magnitude 7,2 e 7,5, na escala de Richter que já provocaram pelo menos 1.719 mortos e mais de 5.034 feridos, segundo o balanço mais recente das autoridades.
Rampolla adiantou que a busca e o resgate constituem o principal objetivo da “operação em grande escala” que estão a levar a cabo, apesar de já terem decorrido as primeiras 72 horas.
“Estamos a coordenar esforços para prestar assistência médica de emergência, abrigo, ajuda alimentar, água e saneamento, apoio logístico e para garantir não só o armazenamento, mas também a distribuição de todos os mantimentos que estão a chegar ao país”, afirmou.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.
Leia Também: NASA mostra destruição resultante dos sismos da Venezuela



