Os agentes que tomaram conta da ocorrência de Henry Nowak, no Reino Unido, demoraram oito minutos a descobrir os graves ferimentos no corpo do jovem, enquanto o algemavam.
Recorde-se que o jovem de 18 anos morreu depois de ter sido esfaqueado em dezembro de 2025, em Southampton, no Reino Unido. Enquanto agonizava devido aos ferimentos, foi algemado pelas autoridades, que acreditavam que o jovem era suspeito de um crime de ódio. O crime chocou o país e gerou protestos.
A informação é agora divulgada pela BBC, esta quarta-feira, após aceder à transcrição na íntegra da gravação das câmaras corporais dos agentes no local. Até agora, não se sabia o que tinha acontecido depois de Nowak ter dito à polícia que tinha sido esfaqueado e os agentes não acreditarem em si.
Alertamos que a descrição que se segue pode perturbar alguns leitores.
“Acho que não foste, amigo”, respondeu um dos polícias na altura, após Nowak ter dito que tinha sido esfaqueado, algemando de seguida o jovem.
Passaram cerca de três minutos desde que a polícia chegou ao local. Henry está deitado no chão em silêncio e sem se mexer. As autoridades parecem ficar cada vez mais ansiosas.
“Acho que ele não está a respirar”, diz um agente. Outra polícia no local tenta encontrar um batimento cardíaco em Nowak. “Ele não está a respirar”, frisa o mesmo.
A agente retira as algemas ao jovem e volta a comunicar através do rádio, pedindo uma outra unidade e informando que acham que Nowak não está a respirar.
Os agentes levantam o jovem, acidentalmente batendo com a cabeça dele numa parede, antes de um polícia começar a fazer manobras de suporte básico de vida.
“Ele não está inconsciente, ele não está é a respirar”, diz o agente, que continua as compressões torácicas. “Vamos lá, amigo. É isso, é isso. Continua a respirar. Bora”, ouve-se o polícia a dizer, supostamente falando com Nowak. “Vá lá, amigo. Fica connosco. Respira”, apela.
É nesta altura que os agentes começam a receber conselhos de médicos ao telemóvel. Depois, o agente que estava a fazer as compressões cansa-se e troca com a colega. Os conselhos ao telemóvel continuam.
A polícia que está a realizar as manobras pede que apontem uma lanterna na direção de Nowak.
“Podes apontar para aqui uma lanterna? Só quero ter a certeza que ele não foi esfaqueado”, comenta, uma vez que estavam há vários minutos a fazer compressões no peito.
A ambulância está agora a chegar ao local, mas a agente continua as compressões até os médicos estarem prontos para assumir o trabalho. A polícia começa a notar que parece haver ferimentos no corpo de Nowak.
“Tens tesouras? Vai buscar tesouras”, diz. O objeto é entregue. “Estica-me essa parte da roupa. Perfeito”. A camisola de Nowak é cortada e o peito do jovem fica à mostra. “Há imenso sangue”.
“Ele foi esfaqueado aí?”, questiona outro agente, que entretanto assumiu as manobras de suporte básico de vida, recebendo uma resposta positivo. “Isso piora as coisas. Ele foi esfaqueado… Eu estou a pressionar na [palavrão] de uma facada”, diz.
“Está tudo bem. Está tudo bem. Não está… Não está a sair [sangue]”, responde-lhe a colega.
Passaram cerca de oito minutos desde que a polícia chegou ao local. Os paramédicos chegam, por fim, ao pé de Nowak e assumem a assistência médica ao jovem.
Cerca de nove minutos depois da chegada da polícia, a transcrição termina. São 23h46 (hora local) do dia 3 de dezembro de 2025.
Os esforços para salvar a vida de Henry Nowak continuaram durante cerca de 51 minutos depois da ação policial, até um médico de urgência voar até ao local de helicóptero e acabar por declarar o óbito do jovem. Quando Nowak morreu já eram 00h37 do dia 4 de dezembro.
Homicida de Nowak foi condenado a pena perpétua
Henry Nowak, de 18 anos, foi esfaqueado cinco vezes no peito e na perna por Vickrum Digwa, de 23 anos, com uma faca que o agressor alegou ser religiosa.
Quando a polícia chegou ao local do crime, Digwa acusou Nowak de o agredir devido à sua etnia, afirmando que o jovem lhe tinha tirado o turbante da cabeça e alegando até ter um olho inchado devido à agressão. A acusação levou os agentes a algemaram o jovem de 18 anos, só se apercebendo depois das feridas fatais que tinha sofrido.
Em julgamento, a acusação conseguiu provar que a alegação de racismo por parte de Nowak era uma “mentira perversa”, assim como a versão da defesa de Digwa de que os esfaqueamentos tinham sido em “legítima defesa”. Para além disso, o tribunal também não aceitou a justificação de que o agressor tinha na sua posse aquela faca por motivos religiosos.
Vickrum Digwa foi condenado a prisão perpétua, por homicídio e posse de arma cortante num espaço público, com possibilidade de ficar em liberdade condicional apenas daqui a 21 anos. A sua mãe foi também condenada, por ajudar a esconder o crime tendo, inclusive, retirado a arma do local.
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