O presidente do Chega, André Ventura, considerou, este domingo, que “nomear os mesmos é um prémio à incompetência ou à corrupção”, na sequência da reeleição do general do Exército Paulo Viegas Nunes para liderar o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP). Anunciou, além disso, ter pedido uma audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, Luís Neves, do secretário-geral adjunto demissionário António Pombeiro e do agora presidente daquele organismo.
“Continuar a nomear os mesmos é um prémio à incompetência ou à corrupção. A uma das duas coisas. […] Porque é que um Governo que disse que queria reformular o SIRESP nomeia exatamente o mesmo homem que entre 2022 e 2024 teve à frente a SIRESP S.A., levando à gestão que todos conhecemos, e cujos resultados são também conhecidos de todos”, disse, em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa.
Ventura apontou crer que, “muitas vezes, estamos a ser ou incautos ou cúmplices com a desagregação e a degradação do Estado”, ao mesmo tempo que disse ser “o momento de exigir responsabilidade a todos, nomeadamente a um Governo que disse que reformularia o sistema do SIRESP”.
“Esta demissão no âmbito do MAI ocorre nos mesmos dias em que o Presidente da República deu a conhecer o relatório das tempestades, feito pelo seu próprio staff e pela sua equipa de presença no terreno, dando a conhecer precisamente que o Governo falhou na generalidade e nos casos principais de gestão da crise em relação às tempestades. Aquilo que suspeitámos durante a campanha eleitoral é agora, e será ainda quando o relatório for conhecido publicamente, mais evidente em relação às falhas que o Governo teve num tema em que não podia falhar e não devia falhar”, lançou.
E concretizou: “Quer o improviso de resposta, quer a falta de articulação entre as várias entidades do Estado, quer os pagamentos que continuam bloqueados apesar de prometidos a empresas, a famílias, a várias entidades, mostram bem como temos de ter tolerância zero para tudo o que nas estruturas da administração interna, de apoio público e de resposta pública acontece.”
Para o líder do Chega, o primeiro-ministro e o ministro da Administração Interna devem dar garantias ao país de que as nomeações são feitas “não por conluio ou por interesses obscuros”, mas “obedecem a critérios de integridade e de serviço público”.
Em causa está a notícia da demissão do secretário-geral adjunto do MAI, António Pombeiro, hoje avançada pela CNN e confirmada à Lusa pela tutela. O canal cita o email que António Pombeiro enviou a propósito do pedido da sua exoneração, na sexta-feira, e no qual apontou “graves irregularidades” na gestão da rede pública do SIRESP durante a presidência do general do Exército Paulo Viegas Nunes, que voltou a ser eleito para o cargo, que exerceu entre 2022 e 2024.
Ventura salientou que a demissão de António Pombeiro “não é uma demissão qualquer”, dizendo que o secretário-geral adjunto do MAI “denunciou uma série de irregularidades e de ilegalidades” e que “o seu ministro e o Governo olharam para o lado”.
Sem pedir, para já, a demissão de Luís Neves, o líder do Chega defendeu que a escolha do presidente do SIRESP deveria ser revertida e criticou também o que chamou de “silêncio ensurdecedor do PS” sobre esta matéria.
“O facto de estar em silêncio por potencialmente estarem envolvidas pessoas que também o PS nomeou ou permitiu que continuassem em funções e a cuja gestão fechou os olhos durante o período de 2022 a 2024 é particularmente grave no cenário em que estamos”, disse, salientado que o SIRESP “já custou ao erário público mais de 800 milhões de euros”.
“Crise após crise, tempestade após tempestade, incêndio após incêndio, tem falhado, mesmo após gastar milhões, centenas de milhões, em recursos públicos e em dinheiro público”, disse, considerando “incompreensível” que o Governo volte a apostar na mesma pessoa que já esteve à frente do SIRESP.
[Notícia atualizada às 19h39]
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