André Ventura disse esta terça-feira, finda a reunião com o primeiro-ministro sobre as alterações à lei laboral, que ainda não foi possível chegar a “um princípio de entendimento” global sobre os pontos de divergência entre o Chega e o Governo nesta matéria – uma condição para a eventual viabilização da proposta de lei.
A votação do diploma é já na sexta-feira, mas Ventura assegurou que as duas partes vão prosseguir o diálogo e trabalho técnico: “Nas próximas horas, vamos trabalhar para se chegar a perceber se há entendimento ou não”.
O líder do Chega disse que o seu partido sempre teve “posições muito claras assumidas desde o início”, elencando, por exemplo, as “reformas milionárias ou vitalícias e as férias”.
O presidente do Chega reiterou que o pacote laboral foi “mal feito e mal desenhado desde o início”.
O líder do Chega falava aos jornalistas na Assembleia da República, depois de se ter reunido durante cerca de hora e meia com o primeiro-ministro, na residência oficial, em São Bento.
Recorde-se que o primeiro-ministro vai responder na quarta-feira perante os deputados no debate quinzenal, que acontece na véspera de ser discutida a proposta do Governo de revisão do Código do Trabalho, ainda sem aprovação garantida.
Hoje, Luís Montenegro reuniu-se – pela segunda vez em menos de uma semana – com o líder do Chega.
Na segunda-feira, o líder do Chega afirmou que iria pedir a Luís Montenegro “um compromisso escrito em relação à idade da reforma”, que estabeleça um calendário de descida até ao final da legislatura. Após a reunião, colocou esta como uma “questão essencial”, a par de outras, como a reposição dos dias de férias retirados no período da ‘troika’, melhores condições para o trabalho por turnos ou o fim das subvenções vitalícias para os políticos (ponto em que disse haver “abertura por parte do PSD”).
Antes da reunião, e na apresentação de um investimento no Alentejo, Luís Montenegro prometeu “fazer tudo” o que compete ao Governo para que a proposta de reforma laboral vingue no parlamento.
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, já acusou o Governo de andar num “baile de máscaras” com o presidente do Chega sobre o pacote laboral e, quando questionado como veria um acordo entre primeiro-ministro e André Ventura nesta matéria respondeu: “O Diabo veste Prada”.
[Notícia atualizada às 19h17]
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