Poucos dias antes de o funeral de Angela Legobien-Cadillac chegou uma carta à casa dos pais da mulher de 26 anos, alegadamente, assassinada pelo companheiro em Portugal. A missiva vinha assinada por Cédric Prizzon, o suposto homicida – e agora, o conteúdo foi divulgado.
“Nunca tive a intenção de magoar a Angela, vocês sabem disso”, terá começado por escrever Prizzon na carta que enviou a Jérôme Logobien-Cadillac e Émilie Schipper no dia 12 de março, a partir da prisão portuguesa, na Guarda, onde estava então detido.
“Ela estava fora de controlo e era ela ou eu”, continuou o suspeito na carta lida pela mãe de Angela numa conferência de imprensa na segunda-feira, em França. “Talvez a devesse ter deixado. Todos estariam mais em paz sem mim”, referiu, acrescentando logo de seguida: “Nunca amei uma mulher como amei a Angela”.
Após ler a missiva Émilie Schipper não deixou de tecer o seu próprio comentário sobre o conteúdo da carta: “Não há nada de particularmente importante, exceto que ele se desculpa e se faz de vítima”.
“Foi quando ela [Angela] viu o Cédric com Audrey que ela deve ter desabado. Ela deve ter dito: «Estás louco?» e foi por isso que morreu”, considerou a mãe.
Na mesma conferência de imprensa, uma das advogadas dos pais de Angela considerou ainda que o “juiz de instrução devia ter rejeitado a carta”, frisando que o magistrado tinha “poder para isso”. “Jamais devia ter chegado às mãos da mãe da vítima”, acrescentou.
Recorde o caso
Recorde-se de que Cédric Prizzon terá levado a cabo um duplo homicídio, matando a ex e a atual companheiras e escondendo os corpos em Portugal. Tudo começou em 19 de março deste ano, quando o antigo polícia francês agrediu e sequestrou Audrey Cavalié, de 40 anos, na casa da própria em Aveyron, França. A mulher foi amarrada e colocada na bagageira do carro do suspeito, assim como o filho de ambos, de 12 anos.
Daí dirigiu-se até Lourdes onde se encontrou com Angela e com a filha do casal, de 1 ano e meio, e viajaram todos para Portugal.
Foi só dias mais tarde, em 22 de março, que, alegadamente após uma discussão, matou Angela e, logo de seguida, Audrey.
Prizzon rumou depois à Serra da Nogueira para se desfazer dos corpos, que acabaram por ser descobertos. O suspeito foi detido pelas autoridades portuguesas e deverá ainda ser julgado em Portugal, tendo sido recusado o seu pedido de extradição para França. O Tribunal da Relação de Coimbra considerou que a justiça portuguesa tem “competência territorial para julgar este caso”, frisando que “os crimes e a descoberta dos corpos ocorreram em território português”.

A cronologia de um duplo homicídio. Cédric agiu a “sangue frio”
O Le Monde revelou nas últimas horas mais pormenores sobre o rapto e homicídio de Audrey e Angela em Portugal. Os relatos são arrepiantes e mostram que ambas terão sofrido às mãos do ex-polícia francês, Cédric Prizzon. Os crimes terão sido cometidos “a sangue frio”.
Natacha Nunes Costa | 16:50 – 28/05/2026



