“O facto de as crianças de Gaza estarem a regressar à escola é uma grande notícia e dá-nos esperança, mas não se pode considerar normal que estejam a estudar em escolas temporárias, com quase todos os edifícios escolares danificados ou destruídos”, afirmou a especialista em Programas Internacionais da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) Espanha, Lucía Martínez.
“O regresso às aulas restabelece a rotina, permite que as crianças estejam com os seus colegas e dá-lhes um espaço para recuperarem emocionalmente”, observou.
No entanto, “é essencial que as 200 mil crianças que ainda não têm acesso à educação possam regressar [às escolas] o mais rapidamente possível”, dado que existem cerca de 700 mil crianças em idade escolar em Gaza, sublinhou a responsável.
Mais de 540 mil crianças palestinianas voltaram a ter aulas presenciais em Gaza há uma semana, após quase três anos de interrupção do ensino devido à guerra.
A UNICEF, que apoia diretamente cerca de 335 mil crianças em 203 escolas da Faixa de Gaza, realçou que as crianças que conseguiram regressar à escola encontram estabilidade na sala de aula e veem o local como um sítio para aprender e um ponto de reconexão.
A organização destacou que as aulas desempenham um papel fundamental no bem-estar mental das crianças cujas vidas foram marcadas pelo conflito.
A agência da ONU, que também fornece ‘kits’ recreativos e material escolar a mais de 460 mil crianças em Gaza, solicitou financiamento “flexível e previsível” para todo o ano letivo, bem como garantias para o transporte seguro de alunos, professores e pessoal humanitário, e para a entrada de material escolar, combustível e outros equipamentos essenciais para a população do enclave palestiniano.
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