A condenação foi feita numa conferência de imprensa, em Bruxelas, pelo porta-voz para os Negócios Estrangeiros da Comissão Europeia, Anouar El Anouni, quando questionado sobre a mensagem publicada na sexta-feira passada nas redes sociais pelo ministro Itamar Ben-Gvir (extrema-direita), na qual apelava a que todo o território libanês fosse destruído.
O porta-voz reiterou o apoio da UE ao povo libanês, ao qual prometeu continuar a prestar ajuda de emergência.
“A UE condena, com a maior firmeza possível, esse tipo de discurso”, afirmou Anouar El Anouni.
O porta-voz recordou igualmente os debates realizados há uma semana a nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, quando “muitos Estados-membros” se mostraram favoráveis à imposição de sanções ao ministro Ben-Gvir, “sem, contudo, atingir o limiar necessário para alcançar um acordo”.
Neste contexto, o representante da Comissão Europeia sublinhou, “de forma muito clara”, que a União Europeia “está ao lado do Líbano e do seu povo”, que estão “a pagar um preço muito elevado por uma guerra que não procuraram” e que têm sofrido “demasiado e durante demasiado tempo”.
“Apelamos a Israel para que respeite a soberania e a integridade territorial do Líbano, bem como para que retire as suas forças do país, em conformidade com as resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, prosseguiu.
A reação da UE surge depois de o ministro israelita ter afirmado, na sexta-feira, numa mensagem publicada nas redes sociais, que, “por cada lágrima de uma mãe israelita, mil mães libanesas devem chorar” e que “todo o Líbano deve arder”.
“Chega de jogo do gato e do rato. No Médio Oriente não se vence com respostas moderadas e contenção: é preciso enlouquecer. Apagar. Aniquilar o terror”, acrescentou.
Na sexta-feira, o Exército israelita anunciou a morte de quatro dos seus soldados, mortos em operações no sul do Líbano, depois de Israel ter abatido pelo menos 18 pessoas e ferido mais de 30 numa nova vaga de bombardeamentos em solo libanês.
“Morreram na sequência de um projétil [drone explosivo] que atingiu um tanque no sul do Líbano”, informaram as Forças de Defesa de Israel (FDI), atribuindo o ataque ao grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão.
Trataram-se das primeiras baixas militares israelitas desde a assinatura do memorando de entendimento entre Washington e Teerão, no passado dia 14 de junho, que visa terminar a guerra no Médio Oriente em todas as frentes, incluindo no Líbano, onde Israel e o Hezbollah estão em conflito desde março.
Na passada sexta-feira foi anunciado um cessar-fogo, mas as partes têm trocado acusações de violação da trégua.
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