O debate de urgência, na Assembleia da República, requerido pelo grupo parlamentar do PS sobre “Custo de vida” arrancou com José Luís Carneiro a acusar o Governo da AD de ser “insensível” para com os portugueses que vivem no “limite das possibilidades”
“Uma família com dois ordenados medianos, de 1.040 euros cada, com dois filhos dependentes, está isenta de IRS, significa que não é beneficiária do apoio adotado pelo Governo. Como esta família temos dois milhões de trabalhadores em todo o país. São famílias, crianças e jovens que vivem no limite das suas possibilidades e a quem o Governo mostra total insensibilidade”, atirou o líder socialista.
Mas Carneiro não ficou por aqui e deu mais exemplos de portugueses que não são abrangidos pelos apoios do Executivo anunciados ontem, quinta-feira, 17 de setembro, pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
“Para uma pessoa idosa, que tem uma pensão de 650 euros, o aumento será na ordem dos 18 euros, por mês, ou seja, não dará para cobrir o preço do capaz alimentar e, muito menos, do combustível, gás e renda da casa”, disse, lembrando que “as empresas têm também razões para temer o futuro”.
“Uma empresa paga hoje mais do dobro do que pagava no início do ano com os custos do gás natural. É por isso que nos transmitem, quem trabalha na agricultura, na pesca, nos transportes, na logística, que estar a trabalhar é trabalhar para ter prejuízo”, enfatizou o secretário-geral do PS, notando que “estão com dificuldades milhares e milhares de micro e médias empresas, perante a total indiferença do Governo”.
Antes de concluir, Carneiro atacou o ministro das Finanças, JoaquimMiranda Sarmento, que, no passado, na crise dos combustíveis de 2022, pediu a baixa dos IVA dos combustíveis, quando “o preço do gasóleo estava 27 cêntimos mais barato do que hoje”.
O líder socialista lembrou que Sarmento “até defendia a redução da taxa do IVA a 6% quando o PS já tinha reduzido para 13% via ISP”.
Por fim, Carneiro apontou o dedo ao Chega, que remete a entrada em vigor das medidas para 2027. “As medidas necessários são para ontem, nunca para janeiro de 2027”, salientou.
Em representação do Governo, o debate conta com a presença de Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente, e de Carlos Abreu Amorim, ministro dos Assuntos Parlamentares.
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