“A alegação de que o Ansar Allah (“Partidários de Deus”) age em nome do Irão é totalmente infundada”, afirmou o representante permanente do Irão nas Nações Unidas, Amir-Saeid Iravani, numa carta enviada ao secretário-geral da ONU, António Guterres.
O diplomata iraniano sustentou que as autoridades de Sana representam uma parte significativa dos iemenitas e tomam decisões de forma independente e em conformidade com o que consideram ser os interesses do povo.
Iravani classificou ainda como falsa e infundada a acusação de que o Irão transferiu armas para o Iémen em violação das resoluções pertinentes do Conselho de Segurança, afirmando que tal alegação não é sustentada por qualquer prova “credível, verificável ou independente”.
As declarações do diplomata iraniano ocorrem numa altura em que voltam a agravar-se as tensões entre os huthis e o Governo iemenita reconhecido internacionalmente, que conta com o apoio da Arábia Saudita.
Na segunda-feira, as forças governamentais iemenitas bombardearam a pista do Aeroporto Internacional de Sana — que está sob controlo huthi — para impedir a aterragem de uma aeronave da Mahan Air.
A aeronave transportava uma delegação huthi de volta ao Iémen, após uma viagem a Teerão para participar no funeral do Líder Supremo iraniano, Ali Khamenei.
O Governo iemenita no exílio justificou o ataque como uma medida para defender a soberania e acusou os huthis e o Irão de estabelecerem um corredor não autorizado para o reabastecimento militar dos insurgentes.
Os huthis condenaram o bombardeamentos e anunciaram o fim da “fase de desanuviamento”, respondendo com o lançamento de drones e mísseis balísticos contra o Aeroporto Internacional de Abha, no sudoeste da Arábia Saudita.
Neste contexto, Iravani declarou que o Irão sempre apoiou um processo político pacífico, inclusivo e liderado pelos iemenitas, sob a supervisão das Nações Unidas, e reafirmou o apoio à soberania, independência, unidade e integridade territorial do Iémen.
Os huthis, alinhados com o Irão, controlam Sana e vastas áreas do norte e oeste do Iémen desde 2014, mantendo-se em conflito com o Governo internacionalmente reconhecido, apoiado por uma coligação liderada pela Arábia Saudita.
Embora uma trégua tenha reduzido significativamente os combates e os ataques transfronteiriços em 2022, o conflito não terminou com um acordo de paz definitivo.
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