O atentado, o mais sangrento naquele país desde um ataque suicida contra uma igreja há um ano, ainda não foi reivindicado
A explosão ocorreu num café situado perto do Palácio da Justiça, frequentado habitualmente por advogados, num bairro extremamente movimentado da capital.
Foi provocada “por um engenho explosivo que tinha sido colocado no local”, anunciou o general das forças de segurança interna, Mohammad Khit, na televisão estatal.
O Ministério da Saúde divulgou um novo balanço que aponta seis mortos e 22 feridos, após ter referido inicialmente cinco mortos e 16 feridos.
As forças sírias estabeleceram um cordão de segurança em torno do local da explosão, numa rua residencial e comercial no centro de Damasco.
O Palácio da Justiça é o principal tribunal de Damasco e funciona como o centro do sistema judicial do país.
“Ouvi uma forte detonação por volta das 15:00 (13:00 em Lisboa) e a fachada da minha loja tremeu. As pessoas correram para o café e começaram a ligar para os serviços de emergência”, disse à agência de notícias France-Presse Nawar Khayyat, de 40 anos, proprietária de uma loja de baterias para painéis solares situada em frente ao Palácio de Justiça.
Outra testemunha, Mohammad al-Dahabi, dono de uma ótica perto do café, descreveu o que viu quando se apressou para a zona do ataque.
“Corri para o local e vi pessoas estendidas no chão, com sangue por todo o lado”, disse, acrescentando que a cena lhe fez lembrar “as explosões que Damasco sofreu” durante a guerra civil, entre 2011 e 2024.
O governador de Damasco, Maher Edelbi, que se deslocou imediatamente para o local, afirmou que tinha sido aberto um inquérito.
“Se Deus quiser, os responsáveis por este derramamento de sangue serão punidos”, prometeu.
“Sempre que o país atravessa um período de estabilidade, há forças mal-intencionadas que tentam desestabilizá-lo”, acrescentou.
A tomada do poder por uma coligação liderada pelo Presidente interino, Ahmad Al-Sharaa, que derrubou o Presidente Bashar al-Assad em dezembro de 2024, pôs fim à guerra civil no país.
As novas autoridades têm-se empenhado, desde então, em reunificar o país fragmentado e em reconstruir as instituições.
O atentado de hoje é o mais sangrento em Damasco desde um ataque que teve como alvo uma igreja em junho de 2025, provocando 25 mortos.
O ataque do ano passado tinha sido reivindicado por um grupo fundamentalista sunita, enquanto as autoridades atribuíram a responsabilidade ao Estado Islâmico (EI).
O Governo, apoiado por Washington, aderiu no ano passado à coligação internacional contra o EI.
O grupo, derrotado em 2019 no país, mantém na Síria células adormecidas e tinha apelado à resistência contra as novas autoridades do país.
As forças governamentais lançam com frequência operações para neutralizar as células do Estado Islâmico no país.
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