O Tribunal Regional de Varsóvia confirmou na quarta-feira a decisão de colocar em prisão preventiva Ziobro, ministro da Justiça e procurador-geral entre 2015 e 2023 durante o governo conservador nacionalista do partido Lei e Justiça (PiS).
“Esta decisão judicial permite-nos iniciar o processo de extradição”, declarou hoje à agência France-Presse (AFP) Anna Ptaszek, porta-voz da Procuradoria, acrescentando que será apresentado um pedido “o mais rapidamente possível”.
A Zbigniew Ziobro é imputado, entre outras acusações, o desvio de fundos destinados a vítimas de crime para adquirir o ‘spyware’ Pegasus, alegadamente para controlar opositores políticos, e pode ser condenado até 25 anos de prisão.
O antigo governante é também autor de uma série de reformas judiciais controversas entre 2015 e 2023 e que procurava alegadamente controlar tribunais e magistrados, levando a União Europeia a congelar a transferência de fundos comunitários para Varsóvia.
A tensão com Bruxelas só começou a ser aliviada após a formação de um Governo de coligação liderado pelo europeísta liberal Donald Tusk, desde as legislativas de outubro de 2023, que interromperam oito anos consecutivos de governação do PiS.
Em novembro de 2025, os deputados polacos votaram a revogação da imunidade parlamentar de Ziobro e autorizaram a sua prisão preventiva.
Ziobro, que foi uma das figuras mais influentes do anterior executivo do PiS, é acusado de 26 crimes relacionados com o uso indevido de fundos públicos e abuso de poder.
Recusando-se a atender às intimações do poder judicial, sob a alegação de que as acusações eram resultado de perseguições políticas orquestradas pelo Governo de Tusk, o ex-ministro da justiça procurou inicialmente refúgio em Budapeste com a sua mulher.
Após a derrota eleitoral do então primeiro-ministro nacionalista húngaro, Viktor Orbán, em 12 de abril, mudou-se para os EUA.
Na segunda-feira, o vice-primeiro-ministro e chefe da diplomacia da Polónia, Radoslaw Sikorski, indicou ter recebido a confirmação da Hungria de que o estatuto de refugiado concedido pelo anterior Governo de Orbán a Ziobro e à sua mulher foi revogado, bem como ao antigo vice-ministro da Justiça Marcín Romanowski, cujo paradeiro permanece desconhecido.
A Hungria “também invalidou os seus documentos de viagem”, acrescentou Radoslaw Sikorski na rede social X.
Nas presidenciais polacas, realizadas no verão do ano passado, o Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou publicamente o seu apoio ao candidato nacionalista Karol Nawrocki, que saiu vencedor.
Após a sua posse, Nawrocki, um historiador independente que teve igualmente apoio da oposição do PiS, tem mantido uma relação tensa com o Governo de Tusk.
Os republicanos norte-americanos apoiaram também Orbán nas legislativas húngaras realizadas em abril, mas neste caso o político nacionalista foi derrotado ao fim de 16 anos no poder.
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