“Em 2025, a variação salarial nominal anualizada evidencia uma desaceleração face aos anos anteriores, interrompendo a trajetória de reforço observada desde 2021″, aponta o relatório hoje apresentado e elaborado pelo Centro de Relações Laborais (CRL) do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS).
A variação salarial em termos nominais foi de 6,3% em 2025, o que compara com os 7,3% registados no período homólogo.
Em ambos os casos os aumentos salariais em termos nominais vão mais além do que os referenciais estabelecidos no acordo tripartido assinado em Concertação Social (5% para 2024 e 4,7% para 2025) para o aumento global dos salários (discutidos em negociação coletiva).
No entanto, “apesar da desaceleração da variação nominal, a variação salarial real reforça-se, passando de 0,1% em 2023 para 2,7% em 2024 e 3,7% em 2025, beneficiando do contexto de desaceleração da inflação”, acrescenta.
Por sua vez, o número de trabalhadores por conta de outrem potencialmente abrangidos por estas alterações salariais ascendeu a 962.054, “o valor mais elevado desde 2011, o que reforça a relevância quantitativa das atualizações remuneratórias publicadas em 2025”, nota ainda o CRL.
Já o número de instrumentos de regulamentação coletiva (IRCT) registou um aumento de 4,4%, passando de 566 em 2024 para 591 em 2025.
“Para esta evolução contribuíram os acréscimos observados na Região Autónoma dos Açores, onde o número de IRCT aumentou de 58 para 84, e na Região Autónoma da Madeira, onde passou de 104 para 129, apesar da diminuição verificada no Continente, de 404 para 378”, lê-se.
Os dados revelam ainda que no continente foram publicadas 277 convenções coletivas em 2025, um recuo de cerca de 5% face às 293 registadas no ano anterior, sendo que a redução “resulta, sobretudo, da quebra das revisões globais (-13%), uma vez que o número de primeiras convenções se manteve (19) e o das revisões parciais aumentou (8%)”.
Depois do crescimento registado em 2024, no ano passado houve uma diminuição do número de trabalhadores potencialmente abrangidos pelas convenções publicadas, tendo-se fixado em cerca de 885 mil.
“A cobertura mantém-se fortemente concentrada: quatro setores reúnem 80,7% do total de trabalhadores potencialmente abrangidos, com destaque para as indústrias transformadoras (28,9%) e o comércio (27%)”, adianta ainda o relatório.
De acordo com o relatório, no ano passado continuou “a tendência de renovação frequente das convenções”: das 258 revistas no ano, 202 estiveram em vigor por um período até 24 meses, o equivalente a 78%.
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