O concelho de Almada está já há vários dias sem abastecimento de água, uma situação que está a gerar revolta entre a população. O PSD e o PS apontam o dedo um a outro, com o primeiro a dizer que o Governo não tem “qualquer responsabilidade” e o segundo a criticar as declarações da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho.
Afinal, o que foi dito?
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusou a ministra do Ambiente de fazer declarações “que não correspondem à realidade” sobre a falta de água em Almada, tendo pedido à tutela que “mobilize as suas forças” para resolver este assunto.
“Este é um assunto da natureza local e que está a ser acompanhado pelo ministério do Ambiente. Sei que a ministra do Ambiente ontem [quarta-feira] fez declarações que são afirmações que não correspondem à realidade”, respondeu José Luís Carneiro aos jornalistas à chegada ao Aquário Vasco da Gama, em Algés, Oeiras, para o encerramento da iniciativa socialista “Rota pela economia do mar”.
Quando questionado sobre os problemas de abastecimento de água no concelho de Almada, liderado pela socialista Inês de Medeiros, que integra o seu Secretariado Nacional e que encabeçou a sua lista à Comissão Nacional no último congresso, José Luís Carneiro começou por frisar que o poder local “tem autonomia e tem responsabilidade”.
“Julgo que hoje está prevista uma reunião entre a ministra do Ambiente e a presidente da Câmara, poderá explicar que afirmações é que fez, que não corresponderão à verdade, nomeadamente dizer que a Câmara Municipal da Almada não se candidatou ao PTRR para fins de investimento na rede da água”, disse.
Por seu turno, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, em conferência de imprensa, na Assembleia da República, apontou o dedo à presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, dizendo que a autarca “faltou à verdade”.
“Não tenho dúvidas de que a presidente da Câmara de Almada faltou à verdade. Não é verdade. A senhora presidente teve anos para se candidatar ao PRR e para fazer os investimentos que Almada precisava em matéria de distribuição e captação de água e não o fez. Quanto a isso não há dúvida”, disse.
Hugo Soares sublinhou que “é sabido, é público, é notório, que não há qualquer responsabilidade nesta matéria por parte do Governo”, notando que a distribuição e captação de água em Almada é da competência da autarquia.
O líder parlamentar social-democrata acusou ainda o PS de queres “ajudar a mascarar a incompetência do próprio PS na gestão da Câmara Municipal”.
O que se passa em Almada?
A Câmara Municipal de Almada decretou, na quarta-feira, situação de alerta face às dificuldades de abastecimento de água que se fazem sentir no concelho e foi anunciado que o município vai passar por vários cortes nos próximos dias.
Em comunicado, a autarquia explicou que a medida surge na sequência do âmbito do reforço das “medidas já em curso para garantir o abastecimento à população e aos serviços essenciais”.
O primeiro corte total no abastecimento já ocorreu. Entre as 22h00 de ontem e as 6h00 de hoje, várias zonas de Almada ficaram totalmente sem água.
A decisão da autarquia assim como o problema da falta de água originaram uma manifestação que contou com mais de 1.500 pessoas, a pedir soluções e a demissão da presidente, Inês de Medeiros.
A população tinha inicialmente convocado um cordão humano, mas o protesto acabou por assumir a forma de um desfile entre o Centro Comercial O Pescador e a rotunda de acesso ao IC21, sob vigilância de um forte dispositivo da GNR.

Almada “em alerta”: Passa-culpas, manifestações e pedidos de demissão
O concelho de Almada está em situação de alerta devido às falhas no abastecimento de água, o que tem gerado muita polémica. A ministra do Ambiente fala em falta de investimento, a autarca aponta o dedo às ligações clandestinas. Entretanto, há manifestações e pedidos de demissão.
Natacha Nunes Costa | 08:44 – 09/07/2026



