“Não vamos permitir que uma potência estrangeira roube as eleições de 2027″, declarou o também eurodeputado, um dos mais destacados críticos franceses do Presidente russo, Vladimir Putin, acusando Moscovo de procurar desestabilizar França.
Segundo Glucksmann, a Secretaria-Geral da Defesa e Segurança Nacional (SGDSN), organismo que coordena a resposta do Estado francês às principais ameaças à segurança nacional, informou-o de que a operação foi conduzida pela Storm-1516, uma rede de influência pró-russa associada aos serviços secretos militares russos (GRU).
A mesma rede tinha sido associada em julho a uma campanha contra Édouard Philippe, antigo primeiro-ministro francês e outro potencial candidato às presidenciais, através da divulgação nas redes sociais de informações falsas sobre o seu estado de saúde.
A Storm-1516 é apontada pelas autoridades e investigadores ocidentais como uma rede especializada em operações de influência digital, recorrendo a vídeos manipulados, páginas que imitam órgãos de comunicação social e campanhas coordenadas nas redes sociais para amplificar narrativas favoráveis a Moscovo.
No caso de Glucksmann, a operação utilizou uma falsa página de informação que imitava a identidade visual da publicação francesa Blast para divulgar um vídeo manipulado com recurso a inteligência artificial (IA).
O conteúdo reproduzia artificialmente a voz do jornalista Edwy Plenel e alegava, falsamente, que Léa Salamé, jornalista e companheira de Glucksmann, teria tentado subornar órgãos de comunicação social para favorecer uma eventual candidatura presidencial do eurodeputado.
O recurso a vozes geradas por IA e à imitação da identidade de órgãos de comunicação social aumenta a preocupação das autoridades francesas com a crescente sofisticação das operações destinadas a conferir credibilidade a conteúdos fabricados.
Glucksmann responsabilizou igualmente plataformas digitais como X e TikTok pela disseminação destas campanhas e defendeu a aplicação de sanções às empresas tecnológicas que não impeçam operações de interferência estrangeira no debate democrático europeu.
A preocupação francesa com as operações de influência atribuídas a Moscovo intensificou-se nos últimos meses.
Em julho, as autoridades francesas ordenaram a expulsão de Xenia Fedorova, antiga diretora da emissora estatal russa RT France, considerando que a sua atuação prejudicava “os interesses fundamentais do Estado” e que a sua permanência no país representava uma ameaça grave à ordem pública.
Para Glucksmann, as atuais operações constituem apenas o início de uma campanha de influência mais ampla destinada a enfraquecer candidatos favoráveis à União Europeia e ao apoio à Ucrânia.
O eurodeputado considera que Moscovo atribui particular importância às presidenciais francesas devido ao peso político e militar de França na Europa e ao potencial impacto do resultado eleitoral sobre a unidade da União Europeia (UE) e a política europeia em relação à Rússia.
As próximas eleições presidenciais francesas serão as primeiras desde 2012 sem Emmanuel Macron como candidato, uma vez que a Constituição impede o atual chefe de Estado, eleito em 2017 e reeleito em 2022, de concorrer a um terceiro mandato consecutivo.
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