“Há muitos indícios de que o incêndio na estação Starlink em Mazóvia é outro elemento da guerra híbrida” russa, afirmou o ministro dos Assuntos Digitais polaco, Krzysztof Gawkowski, à estação pública TVP Info.
De acordo com as informações do Serviço Estatal de Bombeiros de Grójec e da rádio polaca RMF FM, o alerta para o incêndio foi dado na quarta-feira à noite.
O fogo afetou diretamente a caixa de distribuição elétrica e o gerador que alimentam a estação, que se manteve operacional.
Três corporações de bombeiros extinguiram as chamas sem registo de vítimas.
A polícia e a Agência de Segurança Interna (ABW) mantêm a zona isolada desde quarta-feira e estão a investigar as causas do incidente, disseram as autoridades.
Gawkowski explicou que o operador da estação “é a Exatel, uma empresa estatal de telecomunicações (…) que garante o serviço de internet através da Polónia para a Ucrânia”.
“Este ato de sabotagem foi deliberadamente concebido para colocar a estação fora de serviço (…), perturbando o acesso à internet de várias instituições, incluindo o exército ucraniano”, declarou, citado pelas agências espanhola EFE e francesa AFP.
A infraestrutura de Wola Krobowska, equipada com mais de 10 antenas esféricas, atua conjuntamente com a base de Kaunas, na Lituânia, como centro de distribuição por satélite para a Europa Central e Oriental.
A Polónia utiliza as instalações como principal suporte tecnológico da Ucrânia, e o Estado polaco financia e mantém cerca de 30.000 terminais Starlink em território ucraniano.
Os terminais são fundamentais para garantir o funcionamento ininterrupto de hospitais, serviços públicos, caixas automáticas e a linha da frente militar, além de serviços civis e infraestruturas.
A estação polaca é também utilizada pelos sistemas da SpaceX que fornecem ligação através de terminais Starlink, sendo ambas propriedade do bilionário norte-americano de origem sul-africana Elon Musk.
Estado-membro da NATO e da União Europeia (UE) situado no flanco oriental da Aliança, a Polónia acusou repetidamente a Rússia de sabotagem desde a invasão russa em grande escala da Ucrânia em 2022.
Varsóvia tem denunciado uma intensa campanha de sabotagens em todo o território polaco por agências de informações russas e por mercenários contratados na Polónia através das redes sociais.
As autoridades polacas já registaram mais de 30 incidentes graves que abrangem desde incêndios em fábricas militares e ciberataques até explosões em vias férreas destinadas ao transporte de mantimentos para Kyiv.
O território da Polónia é a principal via de trânsito da ajuda militar e humanitária ocidental à Ucrânia.
O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, alertou recentemente que os planos da Rússia no âmbito da guerra contra a Ucrânia incluíam ataques híbridos de drones e mísseis contra países que apoiam Kyiv, incluindo a Polónia.
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