“Como se o povo iemenita já não tivesse sofrido o suficiente, os civis estão agora a ser duramente atingidos por esta nova onda de violência”, lamentou o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, num comunicado, declarando-se “consternado com o crescente número de vítimas civis”.
“Os civis nunca devem ser alvo de ataques e a sua proteção deve ser a prioridade absoluta”, afirmou.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos documentou a morte de 32 civis, incluindo 15 crianças e três mulheres, desde o início de agosto.
A guerra no Iémen intensificou-se em julho, após vários anos de relativa calma, sendo arrastado para o conflito regional desencadeado no final de fevereiro pela ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irão.
Os Huthis, que até então controlavam grande parte do norte do país — incluindo a capital, Sana —, avançaram pela costa ocidental em poucos dias. Desde então, a Arábia Saudita tem bombardeado diariamente as zonas controladas pelos combatentes no Iémen, aumentando a pressão sobre as populações.
Os combates fizeram centenas de mortos, segundo a ONU, provocando ainda 130 mil pessoas deslocadas no Iémen e outras três mil que fugiram para o Djibuti, do outro lado do Mar Vermelho.
No seu comunicado, o Alto Comissariado informou ter documentado três ataques atribuídos às forças do Ansar Allah [“Partidários de Deus”] — nome do movimento Huthi, pró-Irão — “contra locais que albergam pessoas deslocadas internamente”, na região de Marib (centro), em 07 de agosto, assim como em 07 e 09 de setembro.
“As partes em conflito devem, a todo o momento, distinguir entre civis e combatentes, bem como entre bens civis e objetivos militares, respeitar os princípios da proporcionalidade e da precaução e tomar todas as medidas possíveis para prevenir ou minimizar os danos causados aos civis”, sublinhou o Alto-Comissário.
“Da mesma forma, os avisos ou a designação de áreas como ‘zonas de morte’, como foi recentemente declarado pelo governo iemenita, não anulam de forma alguma a proteção de que gozam os civis e os bens civis”, acrescentou Türk.
Na quarta-feira, o porta-voz militar dos Huthis afirmou que a aviação saudita tinha realizado 52 ataques aéreos no Iémen nas últimas 24 horas, matando 10 civis, segundo a emissora Huthi Almasirah.

Irão: Controlo do mar Vermelho pelos Huthis contou com apoio de Teerão
Os rebeldes Huthis, que demoraram menos de 48 horas a controlar a costa do mar Vermelho às forças pró-governamentais do Iémen, tiveram ajuda do Irão, afirma hoje a agência de notícias AP, citando fontes ligadas ao tema.
Lusa | 16:04 – 23/09/2026



