As detenções ocorreram em frente ao Tribunal de Magistrados de Westminster, onde os manifestantes gritaram palavras de ordem em apoio ao movimento, enquanto vários espectadores reagiam contra a intervenção policial.
A Polícia Metropolitana de Londres disse que a maioria dos detidos foi presa por alegadamente “expressar apoio a uma organização proscrita”, conduta que constitui crime ao abrigo da legislação britânica.
As detenções coincidiram com a decisão do Supremo Tribunal do Reino Unido de autorizar a Palestine Action a recorrer da proibição imposta pelo Governo, permitindo que o caso seja apreciado pela mais alta instância judicial do país.
A organização foi declarada ilegal há um ano, tornando a filiação ou o apoio público ao grupo puníveis com penas que podem atingir os 14 anos de prisão.
Desde a entrada em vigor da proibição, mais de três mil pessoas foram detidas por ações como exibir cartazes com frases de apoio ao grupo e mais de 1.200 foram acusadas ao abrigo da Lei Antiterrorismo.
Segundo as autoridades judiciais, nenhuma dessas pessoas foi ainda condenada.
O Governo britânico decidiu proibir a organização depois de ativistas terem invadido, em junho de 2025, uma base da Royal Air Force (RAF) para protestar contra o apoio militar do Reino Unido à ofensiva israelita na Faixa de Gaza.
Embora um tribunal superior tenha inicialmente anulado a proibição, o Tribunal de Recurso considerou, em junho deste ano, que a restrição constituía uma interferência “justificada e proporcional” na liberdade de expressão, sustentando que o grupo tinha ultrapassado os limites da desobediência civil ao recorrer à violência para destruir propriedade e provocar ferimentos.
Numa decisão conhecida hoje, o Supremo Tribunal autorizou a fundadora da organização, Huda Ammori, a recorrer para a instância máxima da justiça britânica.
Três juízes do Supremo Tribunal autorizaram Ammori a apresentar recurso, numa audiência que deve realizar-se entre outubro e dezembro.
O tribunal aceitou apreciar o caso apenas por questões processuais, considerando existir matéria para avaliar se o Ministério do Interior britânico respeitou os seus próprios critérios ao decidir proibir a organização.
Entretanto, todos os processos contra pessoas acusadas de violar a proibição da Palestine Action vão continuar suspensos até que o Supremo Tribunal profira uma decisão definitiva.
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