O debate de urgência sobre o “custo de vida”, requerido pelo PS, que teve lugar esta sexta-feira, 18 de setembro, na Assembleia da República (AR) teve direito a acusações de parte a parte e até a “bandalheira”.
Durante mais de uma hora, os partidos discutiram o futuro do país, com o presente na ponta da língua e os dedos apontados em várias direções.
A oposição acusou o Governo de “propaganda”, de estar a ganhar com a subida dos combustíveis, de estar a defraudar os portugueses, ser “insensível” e “indiferente”, de estar “esgotado”.
Mas as acusações não terminaram por aqui. PS criticou o partido liderado por André Ventura por propôr medidas “necessárias para ontem” apenas para “janeiro de 2027”.
E o Chega acusou os socialistas de “hipocrisia”, por defender a descida do IVA dos combustíveis, mas não querer votar a proposta do partido nesse sentido por estar condicionado por um “acordo hediondo” com o PSD.
Já o Executivo, representando hoje no Parlamento por Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente, e de Carlos Abreu Amorim, ministro dos Assuntos Parlamentares, garantiu que “não está a ganhar dinheiro” com a crise que o país atravessa.
Um dos momentos mais marcantes do debate, contudo, foi o bate-boca entre o Chega e o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, em que este acabou por citar André Ventura para o repreender: “Isto não é uma bandalheira, tem regras”.
“Governo insensível a trabalhadores que vivem no limite das possibilidades”
O primeiro a intervir no debate foi o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro. O socialista começou por defender que o Governo da AD é “insensível” com os portugueses que vivem no “limite das possibilidades” e “indiferente” com as “milhares e milhares de micro e médias empresas que estão em dificuldades”.

“Governo insensível a trabalhadores que vivem no limite da possibilidade”
O debate de urgência no Parlamento sobre o “Custo de Vida”, requerido pelo PS, já arrancou. O mesmo conta com a presença de Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente, e de Carlos Abreu Amorim, ministro dos Assuntos Parlamentares.
Natacha Nunes Costa | 10:10 – 18/09/2026
Carneiro citou ainda declarações de 2022 do atual ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, então líder parlamentar do PSD, nas quais defendia uma redução do IVA dos combustíveis para 6%.
“Não é compreensível que o Governo não tenha avançado com a redução do IVA dos combustíveis, eletricidade e gás, da taxa normal para a taxa reduzida’. Sabem quem fez esta afirmação? Não foi o secretário-geral do PS, foi Joaquim Miranda Sarmento”, disse o líder do PS.
Hugo Soares acusa oposição de “mentir” e ser “populista”
A questão dos combustíveis acabou por atravessar praticamente todo o debate. Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, reconheceu que os preços estão “efetivamente muito altos” e que “pesam na vida das pessoas”, mas rejeitou que a subida seja da responsabilidade do Governo.
“Quem diz que é do Governo está a mentir, é demagógico e é populista”, sublinhou, atribuindo o aumento dos preços à guerra.

PSD acusa Carneiro de defender medidas “a pensar nas sondagens”
O líder parlamentar do PSD acusou hoje o secretário-geral do PS de defender uma política económica de resposta à crise a “pensar nas sondagens”, enquanto o líder do Chega apontou a José Luís Carneiro “hipocrisia e falsidade”.
Lusa | 11:53 – 18/09/2026
E foi mais longe, acusando o secretário-geral do PS de defender uma política económica de resposta à crise a “pensar nas sondagens”.
PS e Chega, “quem é o campeão da irresponsabilidade”?
Também o CDS-PP criticou as propostas da oposição. Paulo Núncio defendeu que a resposta ao aumento do custo de vida deve ser “séria e responsável”, sem servir de pretexto para uma “competição desenfreada” entre os dois maiores partidos da oposição – PS e Chega – para saber “quem é o campeão da irresponsabilidade ou o paladino da demagogia”.
Por sua vez, Mariana Leitão, da Iniciativa Liberal (IL) considerou que os portugueses enfrentam um cenário “muito difícil” e acusou o primeiro-ministro de estar “à deriva” e de distribuir dinheiro dos contribuintes ““sem critério, sem visão e sem eficácia”.
“Ação de propaganda”
Já Patrícia Gonçalves, do Livre, centrou a intervenção na receita fiscal. Segundo a deputada, entre março e julho o Governo arrecadou mais 926 milhões de euros em IVA do que no mesmo período de 2025, um aumento de 9,7%.
“Se a crise está a gerar receita adicional para o Estado, que parte dessa margem vai ser usada para proteger quem está a perder poder de compra?”, perguntou.
Por sua vez, Alfredo Maia, do PCP, exigiu a rejeição do aumento das taxas de juro e criticou os efeitos no crédito às famílias e empresas. E Andreia Galvão, do BE, afirmou que os portugueses estão “sobrecarregados”, desafiando o PS a aprovar a proposta bloquista para uma descida temporária do IVA para 0%.
Filipe Sousa, do JPP, lembrou que “as famílias não vivem de gráficos” e que o salário, a renda, o supermercado e os combustíveis são “despesas concretas” das famílias.
O deputado madeirense defendeu que o Orçamento do Estado para 2027 será “o momento da verdade” para a AD que, nas sondagens, está a cair.

Livre e PCP atacam medidas para custo de vida: “Ação de propaganda”
O Livre e o PCP criticaram hoje as propostas aprovadas pelo Governo e anunciadas pelo primeiro-ministro para combater a subida do custo de vida, considerando-as insuficientes e “mais uma ação de propaganda”.
Lusa | 13:20 – 18/09/2026
“Governo não está a ganhar dinheiro” com crise
No final de um debate a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, reiterou que o Governo “não está a ganhar dinheiro” com a crise que o país atravessa.
A governante afirmou que o Executivo reagiu rapidamente à subida dos combustíveis e criou, em março, um mecanismo de redução de impostos que devolve a totalidade da receita adicional de IVA resultante do aumento dos preços.
“Insisto: não estamos a ganhar dinheiro com esta crise. Hoje, por cada litro de gasóleo ou gasolina, o Governo desconta 23 cêntimos no ISP”, enfatizou, lembrando que a este mecanismo, “junta-se um apoio extraordinário equivalente a 10 cêntimos por litro” para os setores mais expostos.

Combustíveis e a integridade do mercado: Governo pediu recomendações à UE
A ministra do Ambiente e Energia revelou hoje que pediu à Comissão Europeia “recomendações claras” para manter a integridade do mercado interno quanto aos combustíveis, defendendo que o Governo está a tomar medidas evitando “os erros de 2009”.
Lusa | 11:56 – 18/09/2026
Maria da Graça Carvalho revelou ainda que pediu à Comissão Europeia “recomendações claras” para manter a integridade do mercado interno quanto aos combustíveis, defendendo que o Governo está a tomar medidas evitando “os erros de 2009”.
“Não vamos repetir os erros de 2009, quando o Governo não acautelou a saúde das contas públicas e conduziu os portugueses a muito sofrimento, durante vários anos”, disse, referindo-se à governação do PS quando José Sócrates era primeiro-ministro.
A ministra com a tutela da Energia justificou ainda as medidas do Governo com um “total alinhamento com a agenda de transição energética”.
“Não fomentamos o aumento do consumo de combustíveis. Apostamos em auxílios focados e temporários com especial impacto nos mais vulneráveis”, apontou.
Avisando que nenhuma resposta imediata vai resolver a “dependência energética externa” que Portugal tem, Maria da Graça Carvalho defendeu as políticas de energia renovável que o país desenvolveu ao longo dos anos.
“Numa altura em que tanto se fala do aumento dos preços de energia, vale a pena lembrar que, graças às renováveis, Portugal tem preços de eletricidade para as famílias e para as empresas muito abaixo da média da União Europeia”, comparou.
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