Paula Santos falava aos jornalistas, no Parlamento, sobre a decisão do BCE conhecida esta tarde de subir as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,25%, naquele que foi o primeiro aumento das taxas diretoras em quase três anos, desde setembro de 2023.
A deputada comunista argumentou que a subida das taxas de juro não resolve a subida da inflação e recordou que, no passado, decisões semelhantes do BCE resultaram no agravamento “muito significativo” dos encargos das famílias com crédito à habitação.
“Este aumento hoje anunciado das taxas de juros por parte do Banco Central Europeu, revela claramente uma opção pela proteção dos lucros da banca e pelo, novamente, prejudicar as famílias, as populações, os povos, inclusive a atividade económica”, afirmou, acrescentando que esta decisão penalizar também as micro, pequenas e médias empresas.
Paula Santos criticou também o Governo e o Banco de Portugal por acompanharem as decisões do BCE, considerando que essa posição de “subserviência” não protege os interesses do país.
Para a deputada, Portugal precisa de uma “outra política” que passe pelo controlo de preços dos bens e serviços essenciais, o aumento dos salários e o combate à especulação.
A líder da bancada comunista disse ainda que as afirmações do Governo sobre o crescimento económico de Portugal não se traduzir na “melhoria de condições de vida de quem trabalha”.
“Significa que há quem esteja a se apropriar com a riqueza que é criada, e quem se está a apropriar dessa riqueza são, de facto, os grupos económicos”, disse.
O Conselho do BCE “decidiu hoje aumentar as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos base”, já que “a guerra no Médio Oriente está a gerar pressões inflacionistas e a decisão de aumentar as taxas de juro apresenta-se robusta face a um conjunto de cenários, que mapeiam a forma como o choque poderá evoluir e afetar as perspetivas de médio prazo para a área do euro”, lê-se na decisão publicada hoje.
A última subida das taxas diretoras tinha ocorrido em 2023, tendo-se seguido um período de pausa até junho de 2024, quando o BCE começou a cortar os juros. Desde julho de 2025 que o banco central mantinha os juros inalterados, voltando agora a mexer nas taxas para uma subida de 25 pontos base.
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