“Se o Governo não respeitar o acordo e não libertar todas as pessoas detidas ou presas, seremos obrigados a retomar as manifestações”, declarou aos jornalistas Ashutosh Ranka, porta-voz do CJP, um dia depois do fim das manifestações, terminadas com a demissão do ministro da Educação indiano, Dharmendra Pradhan.
“Exigimos que todas as pessoas detidas ou presas sejam libertadas imediatamente, em qualquer caso até amanhã, e que todos os processos judiciais [contra os manifestantes] sejam arquivados”, escreveu anteriormente na rede social X outro porta-voz do CJP, Saurav Das.
“A nossa decisão de suspender os protestos baseou-se apenas nas promessas do Governo. Qualquer quebra de confiança será totalmente inaceitável para os jovens”, acrescentou Das.
A indignação dos estudantes surgiu após as fraudes em larga escala que marcaram, em maio, um exame nacional de acesso ao curso de Medicina, ao qual concorreram mais de dois milhões de candidatos.
Segundo os meios de comunicação locais, cerca de 20 estudantes suicidaram-se na sequência do cancelamento do exame.
Às reivindicações por uma reforma do sistema educativo, os jovens juntaram preocupações com o desemprego, apesar do forte crescimento da economia indiana, e críticas ao que consideram ser uma deriva autoritária do primeiro-ministro, Narendra Modi, no poder desde 2014.
Após semanas de mobilização e de uma manifestação reprimida pela polícia em Nova Deli, os manifestantes conseguiram, no sábado, a demissão do ministro da Educação, principal exigência do movimento, suspendendo depois os protestos.
Segundo o CJP, a polícia efetuou numerosas detenções, tanto na capital como no resto do país.
Na sequência de uma queixa sobre alegadas brutalidades policiais, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça da Índia, Surya Kant, defendeu hoje a realização de um inquérito independente.
“O direito de manifestar-se livre e pacificamente é garantido” pela Constituição, recordou durante a audiência.
O CJP foi criado em maio, em reação a declarações do juiz Surya Kant, que classificou os jovens desempregados como “parasitas” e “baratas”.
O desfecho da crise estudantil foi amplamente interpretado como um revés político para Modi, que construiu a sua imagem como um líder inflexível.
Sob pressão, o chefe do Governo anunciou no domingo uma reforma profunda do sistema de exames, com o objetivo de o tornar “fiável” e “transparente”.
O Conselho de Ministros aprovou igualmente um projeto de lei que agrava as sanções aplicáveis aos autores de fraudes.
A apreciação do diploma no Parlamento, prevista para hoje, foi perturbada por sucessivas interrupções provocadas pela oposição, que manifestou apoio aos estudantes e condenou a dureza da repressão.
“Este é um dos mais graves atentados à democracia da nossa história”, lamentou na rede social X um dirigente do Partido do Congresso, Mallikarjun Kharge.
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