Este voto de saudação foi apresentado pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e nele se salienta que a médica republicana Carolina Beatriz Ângelo “recusou submeter-se à menoridade política que a sociedade da época impunha às mulheres”.
“Perante uma lei que concedia direito de voto aos ‘cidadãos portugueses chefes de família que soubessem ler e escreve’, sendo viúva, letrada e mãe, entendeu que cumpria os critérios legais e levou o caso a tribunal”, refere-se no voto de José Pedro Aguiar-Branco.
No voto, sustenta-se que “este audacioso gesto” de Carolina Beatriz Ângelo “veio expor as contradições de uma República recente, que excluía as mulheres da noção de igualdade e que alienava, nos valores e políticas, largos setores da cidadania, incluindo a população iletrada”.
“Depressa, aliás, os legisladores republicanos emendaram a lei, vedando explicitamente o voto às mulheres. O sufrágio feminino só seria reintroduzido, ainda que com estritos limites, em 1931. Três anos depois, eram eleitas as primeiras mulheres deputadas, Domitila de Carvalho, Maria Guardiola e Cândida Parreira”, assinala-se.
No texto, realça-se, ainda, que, “embora a reforma de 1968 tenha alargado o sufrágio a todos os cidadãos alfabetizados, eliminando toda a distinção formal entre homens e mulheres, só em 1975 o voto seria permitido a todos os portugueses maiores de idade, o que enfim consagrou o sufrágio universal e igualitário”.
“A Assembleia da República, reunida em plenário, saúda a memória de Carolina Beatriz Ângelo nos 115 anos do seu voto histórico e presta homenagem a todas as mulheres que, antes e depois dela, lutaram pela igualdade de direitos cívicos e políticos”, lê-se no voto proposto pelo presidente da Assembleia da República.
Também por unanimidade, o parlamento aprovou um outro voto do presidente da Assembleia da República, este sobre os 25 anos do jornal Bom Dia, no qual se salienta que tem uma “atividade ao serviço das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo”.
Ao longo deste percurso, afirmou-se como um espaço de informação e ligação entre Portugal e os portugueses residentes no estrangeiro, acompanhando a vida das comunidades, dando visibilidade aos seus percursos e contribuindo para reforçar os laços que unem os portugueses para além das fronteiras nacionais.
Num contexto em que a informação rigorosa, plural e independente assume uma relevância acrescida, importa reconhecer o trabalho desenvolvido pelos seus fundadores, diretores, jornalistas, colaboradores e parceiros, bem como a confiança dos leitores que acompanharam este projeto ao longo das últimas décadas”, refere-se no voto de José Pedro Aguiar-Branco.
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