O antigo candidato presidencial João Cotrim de Figueiredo comentou, este domingo, algumas situações que marcaram a semana que passou, incluindo as negociações no que diz respeito ao pacote laboral. Face a um possível chumbo, o liberal diz ainda que a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social não deveria ficar no cargo.
“Esta semana ilustrou bem a dificuldade em fazer reformas em Portugal. O pacote laboral foi uma delas porque ao fim de nove meses de discussões vai chegar ao Parlamento e acho que vai morrer de morte assistida – assistida pelos sindicatos e assistida depois pelo Chega e pela Esquerda”, começou por considerar no seu espaço de comentário “Visto Assim”, na SIC Notícias.
O antigo presidente da Iniciativa Liberal (IL) justificou que, apesar das cedências dos sindicatos, estes “continuam a achar que este é pacote é um caminho para a escravatura moderna, que é uma expressão que talvez seja forte demais quando no ranking da OCDE, Portugal tem 34 países que tem uma legislação laboral menos rígida do que a nossa.”
“Se isto é uma escravatura moderna em Portugal, o que será noutros países? Coincidentemente muitos deles mais ricos do que nós e muitos deles são aqueles para onde os portugueses emigram”, atirou.
Já quando às bancadas parlamentares, Cotrim considerou que a Esquerda se vai opor porque “nunca quer que nada mude, especialmente, na área laboral” e o Chega, “o camarada Ventura, faz aquela coisa extraordinária que é arranjar uma condição que é evidente que ninguém pode aceitar”.
“Há uma total falta de vergonha quando se trata de captar eleitorado. E depois que ou não querem ou não sabem fazer contas”, afirmou, reforçando que o Chega põe uma “loucura” em cima da mesa e que o pacote laboral “vai acabar por morrer”.
Cotrim foi ainda questionado em relação ao Chega, face ao posicionamento do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho em relação à proposta do partido em baixar a idade da reforma, classificada por Passos como absurda e irrealista. Sobre se o antigo chefe de Governo percebeu agora a impossibilidade de entendimentos com o partido liderado por André Ventura, disse: “Não sei se percebeu ou se pela primeira vez o disse em público.”
Quanto a Ventura, Cotrim disse que este pode ter ficado surpreendido, mas “não dá parte fraca e diz que isso não lhe interessa nada”. Mas o liberal não acredita nisso: “É claro que interessa porque é toda uma área política que ele gostaria de representar e que não vai conseguir à medida que as pessoas percebam que a sua vontade de reformar é de facto próxima de nula.”
Governo “geriu mal”… e ministra? Com chumba, “não sei o que fica a fazer”
Já quanto ao Governo, o liberal disse ainda que este “tem muitas culpas na forma como geriu” a situação e que deveria ter explicado melhor as reformas em si.
“Em quase todas as reformas que implicam custos de transição e obstáculos antes de se verem resultados, é absolutamente necessário explicar à população para que é que estamos a fazer aquilo, o que é que se alterou, o que melhora na vida das pessoas. O Governo não teve qualquer cuidado em fazer isso”, acusou, dizendo mesmo que este seria “um dos problemas”.
Já quanto a uma possível saída da Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social disse: “Não sei o que é que alguém com a personalidade de Maria do Rosário Palma Ramalho e com a sua vontade de fazer coisas, perante um muito possível chumbo deste pacote ficará a fazer no Governo. É uma decisão pessoal, acho que o primeiro-ministro não a irá empurrar. Se ficasse num lugar que não tivesse nada para fazer e tivesse sido derrotado naquilo que era a grande reforma, não ficaria.”
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