Há uma pergunta que investidores, empreendedores e líderes empresariais fazem constantemente: o que determina verdadeiramente a capacidade de crescimento de uma empresa? A resposta raramente está apenas no produto, na tecnologia ou no acesso ao capital. O fator decisivo continua a ser a capacidade de reunir equipas capazes de transformar ideias em execução, inovação em negócio e visão em resultados.
Ao longo dos últimos anos, tenho assistido a uma mudança interessante. Se antes a conversa se centrava sobretudo no acesso a financiamento, hoje é cada vez mais frequente ouvir empresas de diferentes setores identificarem o talento como o principal desafio ao crescimento. Não por falta de oportunidades, mas pela dificuldade em encontrar, atrair e reter os profissionais de que necessitam para continuar a crescer. Por isso, quando falamos de juventude, não estamos apenas a falar de uma questão social ou geracional. Estamos a falar de competitividade económica.
Num momento em que a Europa enfrenta uma crescente escassez de talento qualificado, investir nos jovens deixou de ser apenas uma questão de responsabilidade social. É uma decisão estratégica para o futuro das empresas e das economias. Segundo a Comissão Europeia, 63% das pequenas e médias empresas europeias afirmam ter dificuldades em encontrar trabalhadores com as competências de que necessitam. E esta realidade está também a alterar a forma como olhamos para o talento. As novas gerações chegam ao mercado de trabalho com uma forte capacidade de adaptação, competências digitais e uma visão mais global do mundo. Mais do que profissionais em início de carreira, são já agentes ativos de transformação dentro das organizações.
© Filipa Pinto Carvalho
Mas se a atração de talento é um desafio, a retenção é, muitas vezes, ainda mais complexa. A competição já não acontece apenas entre empresas nacionais. Um jovem profissional qualificado pode hoje trabalhar para uma empresa sediada em Lisboa, Londres ou Nova Iorque sem sair da sua cidade.
Neste contexto, a proposta de valor das organizações ganhou uma importância sem precedentes. Os jovens procuram remuneração justa, mas também oportunidades de aprendizagem, progressão, flexibilidade, autonomia e propósito. As empresas que compreenderem esta mudança estarão mais bem preparadas para atrair e fidelizar os melhores profissionais.
Portugal enfrenta aqui um desafio, mas também uma importante alavanca de competitividade. Apesar dos progressos registados na qualificação das novas gerações, continuamos a assistir à saída de muitos jovens para mercados internacionais. No entanto, olhar para esta mobilidade apenas pela perspetiva da perda de talento seria redutor. Numa economia global, a circulação de pessoas e competências é também uma fonte de crescimento. Os jovens que ganham experiência internacional trazem consigo novas perspetivas, conhecimento e redes de contacto que podem gerar valor para o país, seja através do regresso, do investimento, do empreendedorismo ou da colaboração com organizações portuguesas.
Nos últimos anos, temos assistido à chegada de talento altamente qualificado atraído não apenas pela qualidade de vida, mas também pelo crescimento de setores inovadores e pela maturidade crescente do ecossistema empresarial português. Tenho observado esta tendência de forma particularmente próxima, com o interesse crescente de profissionais de diferentes partes do mundo em construir carreira e desenvolver projetos em Portugal. Esta convergência de talento internacional com profissionais portugueses cria um ambiente especialmente rico para a inovação, para a troca de conhecimento e para a criação de novas oportunidades de negócio. Esta realidade representa uma oportunidade estratégica. As empresas mais competitivas são, muitas vezes, aquelas que conseguem combinar diferentes experiências, competências e perspetivas. O contacto entre talento local e internacional gera novas formas de pensar, acelera a inovação e fortalece a capacidade das organizações para responder a mercados cada vez mais globais.
Mais do que uma competição por talento, estamos perante a possibilidade de criar ecossistemas onde conhecimento, diversidade e experiência internacional se transformam em valor económico. É desta capacidade de atrair e integrar pessoas que depende, em grande medida, a competitividade das empresas e a relevância de Portugal na economia global.
O desafio não é impedir a mobilidade. É garantir que Portugal participa ativamente nela: formando talento com ambição global, criando condições para que os jovens construam carreiras atrativas no país e mantendo a capacidade de atrair profissionais e conhecimento vindos de fora.
A tecnologia continuará a evoluir. Os modelos de negócio continuarão a transformar-se. Mas a capacidade de aprender, inovar, liderar e criar valor continuará a depender das pessoas.
Assim, importa reconhecer que investir nas novas gerações não é apenas preparar o futuro. É reforçar, desde já, a capacidade das empresas e da economia para crescer, inovar e competir num mundo cada vez mais global.
Leia Também: O que dizem as férias sobre o seu ano inteiro de trabalho?



