“Não vamos construir novos aterros, porque temos que diminuir a percentagem [de deposição de resíduos em] aterro”, afiançou a governante aos jornalistas, antes da sessão oficial de abertura do festival Castro Mineiro, em Castro Verde, no distrito de Beja.
A ministra falava após o Governo ter aprovado hoje, em Conselho de Ministros, a estratégia ‘Terra +’ para criar soluções para diminuir a quantidade de lixo que vai para aterros.
O documento, que já tinha sido aprovado na generalidade em abril, tendo ficado em discussão pública, que incluiu a audição de diversas entidades, define como objetivo nacional chegar a ano de 2035 com apenas 10% dos resíduos depositados em aterro.
A estratégia engloba medidas de prevenção, alteração de comportamentos, da separação do lixo e diferentes soluções de tratamento, prevendo um investimento global de 2,3 mil milhões de euros, com um investimento público de 1,6 mil milhões, entre 2026 e 2030.
Segundo a ministra do Ambiente, trata-se de «uma estratégia de investimento a curto, médio e longo prazo até 2034, para resolver os problemas dos resíduos em Portugal», tendo «vários eixos».
Entre estes, destacou a redução da quantidade de resíduos produzidos e a implementação de estratégias «para reutilização, reciclar e reutilizar», nomeadamente através da produção de biometano.
Maria da Graça Carvalho disse ainda estar a ser considerada, no âmbito da estratégia ‘Terra +’, “a hipótese da valorização energética [de resíduos] para algumas regiões em que a situação é ainda mais complexa do que o resto do país”.
É o caso do Algarve, que “tem, neste momento, os dois aterros praticamente cheios e uma produção de resíduos que é o dobro da média nacional”, disse, confirmando estar em avaliação a possibilidade de ser construída uma incineradora na região.
De acordo com a ministra do Ambiente, as novas incineradoras “são muito diferentes do que eram no passado, muito mais limpas”, existindo casos como o de Copenhaga, na Dinamarca, que tem uma infraestrutura destas “no centro da cidade”.
Por isso, anunciou, a Agência Portuguesa para o Ambiente vai lançar um estudo a 15 de outubro, “para ver a melhor tecnologia que se adapta ao Algarve e a melhor localização”.
Ainda assim, a governante frisou tratar-se de uma solução cara, “que só em último caso é que deve ser utilizada”.
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