“Hoje também celebro que lançámos as negociações (…) do acordo de livre comércio com o Japão”, disse Santiago Peña, na LXVIII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do Mercosul, um bloco que integra Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, na fase final da adesão.
O líder paraguaio qualificou o início dos diálogos como “um passo histórico” que abre as portas “a uma das economias mais importantes do mundo” e que fortalece, segundo disse, a projeção do Mercosul rumo à Ásia.
“Os japoneses são bons amigos e são os melhores aliados que podemos ter no nosso bloco. Peço que possamos avançar com eles”, acrescentou Peña, ao dirigir-se aos seus homólogos do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; do Uruguai, Yamandú Orsi; da Bolívia, Rodrigo Paz; do Equador, Daniel Noboa, e do Chile, José Antonio Kast.
Ainda em relação às negociações com o Japão, o Mercosul indicou num comunicado que, com este acordo, as partes irão procurar “ampliar o acesso aos mercados de bens agrícolas e não agrícolas, a cooperação e os investimentos recíprocos, e integrar as cadeias de valor entre ambas as economias”.
Durante os diálogos estabelecidos desde dezembro passado, quando foi assinado o acordo de Associação Estratégica (AAE) Mercosul-Japão, ambas as partes confirmaram que “perante um cenário internacional instável, irão cooperar para garantir a segurança económica e alimentar”, relembra a nota.
Esta cooperação inclui a diversificação das cadeias de fornecimento em setores estratégicos como minerais críticos, energia, tecnologia e agronegócios.
O AAE, acrescenta a nota, irá integrar uma zona de livre comércio de aproximadamente 400 milhões de pessoas e um produto interno bruto (PIB) combinado de 7 biliões de dólares (613 mil milhões de euros).
O Japão já é um dos dez principais parceiros comerciais do Mercosul, com um intercâmbio comercial de 13.700 milhões de dólares em 2025.
No passado dia 20 de dezembro, os presidentes do Mercosul anunciaram, durante uma cimeira na Foz do Iguaçu (Brasil), o lançamento das negociações para atingir um acordo de preferências aduaneiras com o Vietname.
Pouco depois, a 17 de janeiro, o bloco assinou com a União Europeia (UE) um acordo que abriu uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com um mercado de mais de 700 milhões de consumidores e perto de um quarto do produto interno bruto (PIB) global.
Além disso, o Mercosul negoceia acordos comerciais com os Emirados Árabes Unidos e Canadá, o Reino Unido, Indonésia e Malásia, e negocia uma ampliação do acordo de preferências aduaneiras com a Índia.
O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, adiantou hoje na cimeira que, durante a presidência uruguaia pro tempore do Mercosul, o seu país terá como prioridade “avançar na colocação em prática dos acordos comerciais recentemente concluídos”, com ênfase no tratado com a União Europeia (UE) e a EFTA.
Nesse sentido, o Uruguai pretende realizar “a primeira reunião do Conselho de Comércio do acordo interino e convocar o primeiro fórum empresarial Mercosul-UE”, indicou no seu discurso durante a LXVII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do Mercosul a decorrer no Paraguai.
Assim, Orsi assinalou que o Uruguai trabalhará durante a sua presidência pro tempore para concluir as negociações com o Canadá e os Emirados Árabes Unidos e avançar com a Índia e o Vietname e disse ter a convicção de que em poucos meses o bloco obterá “um encontro cada vez mais firme com o Japão”.
O presidente sustentou que o Uruguai defenderá um bloco “mais moderno, mais dinâmico e mais aberto ao mundo ainda”, mas que sobretudo “produza resultados concretos para os seus cidadãos”.
O chefe de Estado do Uruguai sublinhou que o Mercosul não nasceu para apagar os interesses particulares dos seus membros, mas para “transformá-los numa força”, um “desafio que continua vigente porque integrar não é pensar igual, é confiança, é gerar oportunidades”.
Nesse sentido, assinalou que será dada prioridade à integração fronteiriça, já que sustentou que a responsabilidade dos mandatários é “facilitar a vida” de quem vive na fronteira.
O presidente do Uruguai aproveitou a ocasião para manifestar a sua solidariedade com a Venezuela e reconhecer as autoridades de gestão de riscos dos países do bloco por estarem a trabalhar na coordenação de ações conjuntas para o envio de ajuda.
Leia Também: Costa destaca impacto de acordo UE-Mercosul (em vigor desde hoje)



