O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, anunciou na terça-feira várias medidas, incluindo o encerramento do consulado britânico em Jerusalém e a proibição de entrada em Israel para 12 figuras britânicas.
“O Reino Unido deve mostrar liderança” e “comprometer-se com a justiça perante a injustiça”, disse Burnham, durante a sessão semanal de perguntas ao primeiro-ministro na Câmara dos Comuns (câmara baixa do parlamento).
“Onde as pessoas são expulsas das suas casas, intimidadas, estaremos sempre ao lado dos mais fracos e tomaremos todas as medidas possíveis para as apoiar”, insistiu.
Antes, o chefe da diplomacia britânica, Ed Miliband, tinha considerado a retaliação israelita “lamentável” e “prejudicial”, assegurando à rádio pública BBC que o Governo britânico “antecipava que isso poderia acontecer”.
Quando questionado se Londres estava pronta para uma resposta maior de Israel, particularmente em termos de cooperação comercial e de segurança, respondeu: “Estou convencido de que a nossa cooperação em segurança com Israel continuará”.
Miliband também rejeitou as críticas do rabino-chefe Ephraim Mirvis, que na terça-feira denunciou uma “postura puramente política” que apenas “fortalecerá o extremismo que afirmam estar a combater”, perante o receio de ataques à comunidade judaica no Reino Unido.
Nos últimos meses, vários incêndios e uma série de outros ataques atingiram locais ligados à comunidade judaica em Londres.
“Deve ser possível, na nossa sociedade, defender os valores britânicos de liberdade e dignidade, enfrentar a opressão e a injustiça, e fazê-lo, como creio ter feito ontem [terça-feira], de uma forma que condene claramente o antissemitismo”, disse Miliband.
A tensão tem vindo a aumentar há semanas entre Israel e muitos países europeus, indignados com a intensificação da violência cometida pelos colonos na Cisjordânia e com um vasto projeto para expandir os colonatos no território ocupado desde 1967.
Para além de Londres, Paris e Otava, nove países (Portugal, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Islândia, Noruega, Polónia e Suécia) confirmaram na terça-feira “a intenção de impor restrições nacionais ao comércio de bens com assentamentos que são ilegais ao abrigo do Direito Internacional e/ou de apoiar restrições europeias a este respeito”, ou disseram que estavam “a considerar seriamente adotar tais restrições ou outras medidas de acordo com os seus procedimentos nacionais”.
Os colonatos exportam principalmente produtos agrícolas do Vale do Jordão, mas também vinho, cosméticos e vários produtos industriais.
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