“A maioria dos líderes tem medo de falhar, e isso acontece, muitas vezes, porque não compreendem que existem três tipos de fracasso”, afirma a especialista em liderança, segurança psicológica e cultura organizacional, uma das oradoras do QSP Summit, que decorre no Porto e em Matosinhos entre 30 de junho e 02 de julho, um dos principais eventos europeus de gestão, liderança e inovação.
Dois desses tipos “são aqueles que não devemos temer, mas sim fazer o possível para evitar”, que Amy Edmondson denomina de fracassos básicos e fracassos complexos.
“Estes são os tipos de fracassos que acontecem quando não estamos a prestar atenção, não pensamos no futuro, não estamos vigilantes e conscientes, não garantimos a formação necessária para os colaboradores e assim por diante”, elenca.
Portanto, “existem certos tipos de fracassos que são realmente um desperdício e que não devemos celebrar, mas com os quais devemos aprender” e, depois, “há um terceiro tipo de fracasso que os líderes precisam genuinamente de abraçar porque são realmente valiosos”.
Porque “é deles que surge a inovação” e “a criação de novo valor”, “são fracassos que ocorrem num território desconhecido, na prossecução de um objetivo com uma hipótese, e são os menores possíveis”, argumenta.
Estes são os fracassos essenciais para a inovação, invenção e para aprender qualquer coisa nova, diz.
“Portanto, se as pessoas têm muita aversão ao fracasso, muito medo de falhar, não conseguem ser inovadoras. Consequentemente, as suas organizações também não conseguem inovar, o que leva a fracassos a longo prazo, à medida que os seus produtos e serviços se tornam mais obsoletos e ultrapassados”, adverte, referindo-se ao fracasso inteligente e o progresso em novos territórios.
Estes conceitos aplicam-se tanto às empresas como aos governantes.
Relativamente à inteligência artificial (IA) e à segurança psicológica, a académica destaca dois pontos importantes.
“A segurança psicológica não se refere ao conforto ou sequer à segurança no emprego. Refere-se à permissão para a franqueza. E uma das formas pelas quais a IA inibe a franqueza, ou seja, a honestidade e a abertura, é que muitas vezes as pessoas utilizam a IA individualmente, mas não querem admitir”, explica, referindo que podem ver isso “como um sinal de que não estão a fazer o seu próprio trabalho ou de que estão a tomar um atalho fácil”.
Quando isto acontece, “a honestidade diminui, o que, por definição, é uma redução da segurança psicológica”, aponta.
Outra coisa “que estamos a ver muito diretamente e que afeta a segurança psicológica em relação à IA é que, à medida que as pessoas, especialmente os engenheiros, utilizam a IA com mais frequência, falam menos entre si”, diz.
Ora, a segurança psicológica, ou esta sensação de permissão para a abertura e a franqueza, “é construída através de interações repetidas com os outros”.
Se a interação for menor, “é provável que observemos menor segurança psicológica e as pessoas acabarão por se isolar nas suas áreas de atuação, tornando-se mais independentes no seu trabalho e, consequentemente, menos interdependentes, menos engajadas nas conversas e na resolução de problemas com os outros, o que, por sua vez, acaba por corroer o trabalho em equipa”, sublinha Amy Edmondson, que irá falar no QSP Summit em 01 de julho.
Na sua 19.ª edição, o evento reúne mais de 3.500 participantes, cerca de 100 oradores e sete palcos temáticos dedicados a economia, inteligência artificial, estratégia, comportamento humano e criatividade.
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