A ação já não é novidade: a AfD já não prescinde das “Moped-Ausfahrt”, os passeios de motas, nas suas campanhas.
Assim foi na Saxónia-Anhalt, com Ulrich Siegmund, e assim se repete com vários candidatos deste estado federado do norte do país, que vai a votos no próximo domingo.
Além das Simson, clássicos que representam o estilo de vida e a mobilidade da Alemanha de Leste, há também outras motas, uma ou outra carrinha, bandeiras da AfD, da Alemanha e muito fumo.
“Eles são exatamente como estas motas, fazem muito barulho e poluem ainda mais”, diz uma senhora sobre a AfD, enquanto as vê passar.
“Isto tornou-se, de certa forma, um símbolo, tanto para os mais jovens como para os mais velhos, de trabalhar e fazer reparações nestas motos e motorizadas. São memórias de infância, sobretudo memórias dos avós, e é isso que, essencialmente, está a ser expresso aqui”, revela à Lusa o candidato, Patrick Martens.
Este membro do partido fica para trás, no ponto de encontro, onde várias tendas da AfD são montadas. Preparam-se salsichas no pão e várias bebidas.
“A Alemanha é um Estado federal e cada um dos estados tem as suas próprias tradições. No leste, mantém-se viva precisamente esta tradição das motas e motorizadas Simson”, explica, sublinhando que a AfD também está preocupada com o futuro.
“Em comparação com os outros estados federados, temos uma das taxas mais elevadas de abandono escolar nas escolas de ensino geral. Também estamos, na prática, em último lugar no que diz respeito à formação profissional. Queremos mudar isso. Queremos melhorar na área da educação, tornar-nos o estado líder da Alemanha em matéria de educação e tomar a Saxónia e a Baviera como exemplos. Esses estados estão atualmente no topo”, salienta Patrick Martens.
A chuva começa a cair em Schwerin, mas nada que intimide os militantes e apoiantes que ali se reúnem. Os grelhados estão prometidos para a tarde, e começam a chegar famílias. Há um ambiente de festa contida, a AfD está à frente nas sondagens, mas não com a expressão obtida na Saxónia-Anhalt – onde venceu com 44%, no início do mês.
De acordo com os últimos números, a AfD está na frente das intenções de voto, com cerca de 37%, mas sem uma maioria absoluta. O SPD, liderado pela atual ministra-presidente Manuela Schwesig, ronda os 32%, enquanto a Esquerda (Die Linke) surge com cerca de 11%, a CDU, do chanceler, Friedrich Merz, com 7% e os Verdes com aproximadamente 5%. O BSW (esquerda populista), por seu lado, está abaixo da fasquia dos 5% na maioria das sondagens.
A vantagem da AfD sobre o SPD varia entre dois e cinco pontos percentuais nas sondagens mais recentes, mantendo em aberto a disputa pelo primeiro lugar. A entrada dos Verdes e do BSW no parlamento poderá também ser decisiva para a futura composição do governo regional.
“As sondagens atuais não indicam uma maioria absoluta dos lugares no parlamento estadual. Portanto, só seria possível um governo de coligação. A questão é sempre saber quem estaria disposto a formar uma coligação connosco. Temos aquilo a que se chama uma ‘barreira de contenção'”, refere, sublinhando que os outros partidos não estão disponíveis a coligar-se com a AfD.
Patrick Martens conta mais de 200 motos na iniciativa neste último passeio de mota de Holm antes das eleições.
O encerramento da campanha da AfD em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental faz-se com o vencedor na Saxónia-Anhalt, Ulrich Siegmund, a 19 de setembro, na véspera das eleições.
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