Mariana Leitão falava aos jornalistas no Palácio de Belém, depois de ter sido recebida pelo Presidente da República, António José Seguro, para uma audiência que a IL disse ser “sobre o atual estado do país”.
A líder dos liberais afirmou que as polémicas que envolvem o passado do ministro Luís Neves à frente da Polícia Judiciária (PJ) têm contribuído para um “degradar das instituições”, insistindo que o ministro da Administração Interna “não tem adequação para o cargo que ocupa e que este “revelou não ter zelo, nem sentido de responsabilidade”.
“Esta preocupação por todo este caso e pela degradação contínua a que temos assistido das instituições e, obviamente, solicitando ao senhor Presidente da República que, através da sua magistratura de influência, garanta que este contínuo degradar das instituições é estancado e que conseguimos garantir a defesa e a salvaguarda do nosso sistema democrático”, frisou.
Questionada sobre o que espera, em concreto, que Seguro faça para evitar a degradação das instituições, Mariana Leitão evitou concretizar, reiterando que essa é uma avaliação que compete fazer ao chefe de Estado e defendendo apenas que a responsabilidade do partido é alertar para “garantir que o Presidente da República não se torne conivente com todo este degradar das instituições”.
“Obviamente, a forma como ela será exercida e como é que será exercida, isso compete ao senhor Presidente da República avaliar e decidir de acordo com aquilo que ele próprio achará ser a melhor atuação que deverá ter no futuro. Caberá à Iniciativa Liberal depois avaliar o que foi ou não foi feito”, acrescentou.
Mariana Leitão considerou “inqualificáveis” as “três semanas de silêncio” de Luís Neves e que os esclarecimentos dados, numa conferência de imprensa na quarta-feira, deixaram por clarificar várias matérias.
Para a líder da IL, “ficar à espera que a tempestade passe e que as pessoas esqueçam não é forma de lidar com um tema desta gravidade, nem tão pouco uma atuação de um Governo que quer respeitar”.
A presidente dos liberais foi ainda questionada sobre a crise migratória em Ceuta, Espanha, que considerou um “episódio bastante grave” que aconteceu, acrescentou, “muito por culpa das políticas migratórias que foram seguidas em Espanha por [Pedro] Sánchez”.
“Infelizmente, também não foram muito diferentes daquelas que foram seguidas pelo Partido Socialista quando estava no Governo, de que esses fluxos migratórios poderiam existir e teriam acolhimento em Espanha” acrescentou
Mariana Leitão pediu um “efetivo controlo de fronteiras” para “garantir a salvaguarda do espaço Schengen”, porém ressalvando que se trata de um “pilar fundamental” da Europa que “não pode ser posto em causa por esta crise em concreto”.
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