Nenhuma das 33 vítimas mortais registadas na sequência de um incêndio num bar em Banguecoque, na Tailândia, morreu devido “à ação direta das chamas”. “Morreram de asfixia. Monóxido de carbono e cianeto foram detetados nos corpos”, explicaram as autoridades tailandesas esta quinta-feira.
A inalação destes dois gases impede que o oxigénio seja absorvido, podendo causar a morte em minutos. Apesar de as autópsias já terem sido feitas às vítimas mortais, continua a investigação para perceber o que se passou no domingo (início da madrugada de segunda-feira no local do incêndio). Os especialistas tentam apurar possíveis falhas elétricas ou comprovar que questões de sgeurança obrigatórias espaços como um bar não foram cumpridas.
Note-se que logo após o incêndio as autoridades encontraram indícios de que tanto a entrada como as saídas de emergência do bar estavam obstruídas por mobiliário e materiais armazenados, o que dificultou significativamente, segundo a versão das autoridades, a evacuação do espaço. Está agora também a ser analisado se foram usados materiais de construção que não estivessem autorizados, assim como perceber, de forma oficial e confirmada, como – e se – as saídas de emergência estavam mesmo bloqueadas.
O dono do bar (com histórico) e as versão contraditória
Ainda não foi realizada nenhuma acusação em relação a este caso, mas as autoridades disseram, citadas por publicações internacionais, que estavam a ser preparadas algumas ações judiciais – nomeadamente, acusações de homicídio, danos por negligência e provavelmente também pelas alterações ilegais no bar.
Cerca de 70 pessoas ficaram feridas na sequência deste incêndio, o mais mortífero no país m 17 anos. Haverá ainda entre 14 a 17 pessoas internadas nos cuidados intensivos.
Os bombeiros demoraram cerca de meia hora a apagar as chamas, e logo nessa noite o primeiro-ministro da Tailândia, Anutin Charnvirakul, dirigiu-se ao local, dando o primeiro balanço de vítimas, que então contou logo com 27 mortos. Após surgirem informações de que o bar em causa não tinha as licenças necessárias para ter música ao vivo, o chefe de governo da Tailândia apontou que isso seria tirado a limpo e que todos tinham que cumprir com a lei.
Pelo menos um dos homens identificados como dono do bar foi hospitalizado, de acordo com o que escreveu na quarta-feira a publicação Al Jazeera, mas é desconhecido permanece ou não na unidade.
As vítimas mortais não foram ainda identificadas, mas, de acordo com o Channel News Asia, quatro dos mortos faziam parte da banda que tocava ao vivo nesse momento. Um dos dois sobreviventes da banda já tinha dito no domingo à Associated Press que começou a ver fumo antes de ouvir um grande barulho e de o fumo adensar. A possibilidade de o incêndio ter começado devido a uma falha elétrica está em cima da mesa.
Note-se ainda que o proprietário do bar é também dono de outro estabelecimento situado na província de Yasothon, que ficou destruído em 2019 devido a um incêndio, nesse caso sem vítimas.
Um outro sobrevivente do incêndio, Natthaphong Lakhorn, explicou que estava sentado à frente do palco quando viu o fumo branco, que pensou ser um dos efeitos do espetáculo. “Quando o incêndio deflagrou, corri e depois a eletricidade falhou”, contou este jovem de 26 anos.
Segundo o que adiantou, citado pela Associated Press, acabou por sair do estabelecimento pela porta das traseiras, e, quando passou pelo local, havia um segurança a encaminhar as pessoas. Esta versão contraria a versão das autoridades, que aponta que esta porta não foi usada para as pessoas saírem do local. Lakhorn, que perdeu um dos amigos, sublinhou, no entanto, que não ouviu nenhum alarme. Note-se que a maioria das vítimas mortais terão ficado encurraladas na casa de banho.
Kanticha Singkhonm ficou sem a mãe, que é uma das 33 vítimas mortais. Agora, a jovem de 25 anos vai ficar responsável pelo irmão mais novo. Um advogado que representa os proprietários do bar disse que, inicialmente, os sobreviventes e famílias afetadas vão receber 10.000 baht, cerca de 260 euros.
O incidente levou o governador de Banguecoque, Chadchart Sittipunt, a ordenar realização de inspeções para verificar os sistemas de prevenção de incêndios em centenas de estabelecimentos noturnos da capital turística da Tailândia.
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