Numa declaração política em Comissão Permanente da Assembleia da República, o deputado da IL Jorge Miguel Teixeira criticou o Governo por ter afastado, por agora, uma reforma da Segurança Social, depois de ter constituído um grupo de trabalho e encomendado um relatório sobre o assunto.
“[O primeiro-ministro, Luís] Montenegro criou um grupo de trabalho para avaliar a sustentabilidade da segurança social. Ano e meio de trabalho, 10 pessoas, 607 páginas, relatório apresentado a 18 de agosto. E a 20 de agosto veio dizer o Ministro da Presidência, e cito: o dossier está fechado”, lamentou.
Em seguida, Jorge Miguel Teixeira anunciou que a IL vai apresentar “uma reforma que permita aos jovens escolher, poupar e serem donos do seu próprio futuro”.
“Aquilo que cada português desconta todos os meses tem de deixar de aparecer dentro de um sistema que precisa de 600 páginas de relatório para ser explicado e passar a entrar numa conta em seu nome, que possam abrir, consultar e saber quanto lá têm e com quanto podem contar”, defendeu.
Segundo o deputado, a IL quer um sistema “simples, transparente, sem privatizações e sem monstros”.
Um dia depois de o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter anunciado uma nova diminuição do IRS e um novo suplemento extraordinário para os pensionistas, Jorge Miguel Teixeira contrapôs que a IL irá insistir num “IRS simplificado, com menos escalões” e acusou o Governo de populismo com as pensões.
“Eu lembro que o PSD e o CDS, da última vez que governaram, tinham implementado cinco escalões de IRS. É só voltar nesse caminho e estaremos no bom caminho”, referiu.
Quanto às pensões, o deputado da IL sustentou que “o PS e o PSD distribuem suplementos extraordinários conforme o calendário eleitoral, uma prática instituída de resto por António Costa”, o que qualificou como “uma verdadeira vergonha nacional, que mais não é do que populismo”.
“E populismo caro, pois são quase 400 milhões de euros de dinheiro de uma classe média esmagada, que hoje paga dois euros e 11 cêntimos na bomba, usados para comprar votos a Luís Montenegro, que não só não quer resolver o problema, como quer viver dele”, acrescentou.
Na sua intervenção, o deputado da IL alertou para as consequências da situação política na Alemanha para a União Europeia e Portugal e salientou a vitória da AfD na Saxónia-Anhalt.
“Este é o tempo dos Estados europeus se reformarem, e se não o fizerem já acabarão por entregar o poder a quem promete acabar de vez com o pouco que já resta das economias que temos na Europa”, anteviu.
Já o CDS-PP escolheu o tema da imigração para a sua declaração política, acusando o PS de nunca ter assumido perante os portugueses “que ia deixar entrar quase um milhão de pessoas em quatro anos”.
“Agora sabemos que foi exatamente isso que aconteceu, a maior transformação demográfica deste século”, criticou o deputado João Almeida.
Elogiando a política para esta área do Governo PSD/CDS-PP, o democrata-cristão defendeu que “é absolutamente necessário garantir que Portugal está imune à loucura de Pedro Sánchez”, referindo-se a decisão do Governo espanhol de fazer uma regularização extraordinária de imigrantes.
“O Estado tem de garantir que Portugal não será uma das vítimas desta loucura socialista”. Não aceitamos que os portugueses tenham de pagar a conta da engenharia eleitoral de Pedro Sánchez”, apelou.
O deputado único do JPP, Filipe Sousa, trouxe à Comissão Permanente as polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves, insistindo que é necessária uma comissão parlamentar de inquérito para apurar “a verdade”.
“A verdade não enfraquece a democracia, vai fortalecê-la. A transparência não destrói as instituições, vai protegê-la”, defendeu.
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