O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes, e Similares do Sul denunciou, na terça-feira, que o Hotel Miragem em Cascais vai avançar com um despedimento coletivo de 140 trabalhadores, sendo que outros 35 trabalhadores contratados a termo também deverão estar de saída.
O Notícias ao Minuto está a tentar contactar a administração da unidade hoteleira para obter mais esclarecimentos.
“O Sindicato denuncia publicamente a intenção da Administração do Hotel Cascais Miragem de avançar com um processo de despedimento coletivo que abrange mais de 140 trabalhadores efetivos, a que acrescem 35 trabalhadores contratados a termo, considerando esta decisão profundamente injusta e socialmente inaceitável“, pode ler-se no comunicado do Sindicato, ao qual o Notícias ao Minuto teve acesso.
De fora deste processo deverão ficar os cinco trabalhadores que desempenham funções administrativas.
A concretizar-se, explica, “esta medida terá um forte impacto social no concelho de Cascais, afetando diretamente trabalhadores e respectivas famílias que dependem do emprego para garantir o seu rendimento e estabilidade”.
Os representantes dos trabalhadores recordam que “o Hotel Cascais Miragem Health & SPA foi adquirido, em 2025, pelo grupo espanhol constituído pela Ibervalles e pela ARD Investment & Development, por cerca de 125 milhões de euros, estando prevista a realização de um investimento adicional de cerca de 80 milhões de euros na remodelação e reposicionamento da unidade”.
“Estamos, assim, perante um projeto de investimento global na ordem dos 205 milhões de euros. É neste contexto de uma operação de enorme dimensão que a Administração pretende justificar o despedimento coletivo com o encerramento temporário do hotel para a realização das obras”, pode ler-se na nota divulgada.
O Sindicato considera, ainda assim, que esta “opção é profundamente injusta e desproporcionada”: “Não é aceitável que sejam os trabalhadores e a segurança social a suportar os custos de uma decisão de natureza empresarial, quando existem soluções alternativas que permitem assegurar a manutenção dos postos de trabalho durante o período de encerramento e de realização das obras”.
“Não estamos perante o encerramento definitivo de uma empresa por falta de atividade. Estamos perante uma unidade hoteleira que será alvo de um significativo investimento, com vista à sua remodelação e posterior reabertura. Neste contexto, não podemos deixar de considerar inaceitável que a única solução apresentada aos trabalhadores passe pelo despedimento”, pode ainda ler-se.
Assim, “perante a gravidade da situação, o Sindicato já solicitou, com carácter de urgência, reuniões com diversas entidades institucionais e governativas, com o objetivo de promover uma intervenção concertada que permita encontrar soluções alternativas ao despedimento coletivo e salvaguardar os postos de trabalho. A situação foi igualmente denunciada à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), tendo sido solicitada uma ação inspetiva urgente”.
Revela ainda que, “no âmbito das reuniões de informação e negociação previstas no Código do Trabalho, o Sindicato solicitou a presença da DGERT e do Ministério do Trabalho”.
“Após a primeira reunião, realizada a 7 de Agosto, a próxima terá lugar a 19 de Agosto, onde o Sindicato voltará a exigir à empresa medidas alternativas para proteger os postos de trabalho. Durante a tarde, haverá um Plenário de Trabalhadores e uma ação pública de denúncia e protesto, com distribuição de um comunicado aos hóspedes e uma conferência de imprensa”, acrescenta.
O Hotel Cascais Miragem foi adquirido em 2025 pelo grupo espanhol constituído pela Ibervalles e pela ARD Investment & Development por cerca de 125 milhões de euros, estando previsto um investimento adicional de cerca de 80 milhões de euros na remodelação e reposicionamento da unidade, num projeto global de cerca de 205 milhões de euros.
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