Os preços dos combustíveis vão registar um comportamento distinto esta semana. O preço do gasóleo deverá subir quatro cêntimos, ao passo que o da gasolina deverá baixar seis cêntimos, de acordo com as previsões divulgadas na sexta-feira pelo Automóvel Club de Portugal (ACP).
“Caso se confirmem as previsões para a próxima semana, o preço médio do diesel vai subir para 2,15 euros por litro, enquanto a gasolina desce para 2,04 euros por litro”, nota o ACP.
O ACP explica que os “preços dos combustíveis continuam a ser impactados pela guerra no Médio Oriente, com os EUA, Israel e o Irão envolvidos em ataques militares na região”, sendo que a “guerra levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do comércio de petróleo e gás natural, levando o preço dos combustíveis a sofrer graves alterações”.
De sublinhar que a média final pode ainda registar alterações em função da evolução das cotações internacionais do petróleo e o custo final na bomba poderá variar conforme o posto de abastecimento, a marca e a localização. A atualização do desconto do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) também poderá alterar os valores previstos.
Onde custam menos os combustíveis?
No site Preços dos Combustíveis Online, da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), pode consultar onde é que são os postos de abastecimento mais económicos perto de si.
Para conferir os postos de abastecimento mais baratos na sua zona pode aceder a este link e selecionar, logo em cima, a opção ‘filtrar por município’, clicando depois no respetivo distrito na lista que será apresentada. Por fim, deverá selecionar o município que pretende consultar, bem como o tipo de combustível.
Fixar preços dos combustíveis é medida de “último caso”
A ministra do Ambiente e Energia defendeu na quarta-feira que a fixação dos preços dos combustíveis só deve ser usada em último caso, sustentando que o mercado deve funcionar e o Estado atuar através de impostos e apoios.
“Fixar os preços é uma medida que só se faz em último caso, porque quem paga é o Estado, nós devemos deixar o mercado funcionar”, afirmou Maria da Graça Carvalho, numa audição na Comissão de Ambiente e Energia.
A governante disse não ser favorável à intervenção direta nos preços e defendeu antes medidas fiscais e apoios dirigidos aos consumidores e setores mais vulneráveis.
“Não sou apologista de se mexer no mercado, deve-se deixar o mercado funcionar e depois atuar nos impostos e nos apoios aos mais vulneráveis”, afirmou.
Maria da Graça Carvalho evocou experiências anteriores para justificar esta posição, referindo uma decisão de limitação dos preços dos combustíveis durante um Governo liderado por António Guterres.
Segundo a ministra, o ex-ministro Joaquim Pina Moura reconheceu posteriormente que essa intervenção tinha sido uma má decisão.
“Há evidências, ainda ontem li umas declarações do Sr. ex-ministro Pina Moura, no tempo do Engenheiro Guterres, em que limitaram os preços dos combustíveis e ele próprio diz que foi a pior medida que tomou durante a sua vida, porque o interferir no mercado tem sempre consequências más”, afirmou.
A ministra apontou também o mecanismo ibérico de limitação do preço do gás, adotado durante a crise energética, como exemplo dos riscos de interferência no funcionamento do mercado.
“A interferência no mercado ibérico do travão do gás […] teve consequências muito graves, nomeadamente para a Espanha, mas também para Portugal”, disse.
Maria da Graça Carvalho acrescentou que, na sua avaliação, o investimento em energia eólica caiu após a aplicação daquele mecanismo.
A governante reiterou ainda que a estratégia do executivo para responder à subida dos combustíveis passa por aliviar a carga fiscal e concentrar os apoios nos setores mais vulneráveis, em vez de estabelecer administrativamente os preços.
A subida dos preços dos combustíveis ocorre num contexto de agravamento das tensões no Médio Oriente, a que a ministra somou os efeitos da guerra entre a Rússia e a Ucrânia sobre a capacidade de refinação e o abastecimento energético.
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