Os preços dos combustíveis vão voltar a subir na próxima semana e as previsões não são animadoras, porque há ainda muita volatilidade nos mercados. Não será, por isso, uma surpresa que os preços cheguem aos 2,50 euros por litro no curto prazo, considerou o presidente da Ordem dos Economistas – Norte, Carlos Brito, em declarações ao Notícias ao Minuto.
“Não me admira que, se a situação não acalmar, o preço em Portugal dos combustíveis possa atingir os 2,50 euros por litro a relativamente curto prazo“, referiu, sublinhando que “continuamos perante uma enorme volatilidade“.
O economista explicou que o “preço na bomba depende não apenas do petróleo, mas também dos custos de refinação, da cotação dos produtos refinados, do câmbio euro/dólar e, naturalmente, da fiscalidade”.
“Aqui entramos na imprevisibilidade gerada pelas duas guerras em curso. Para além da incerteza que já vinha de trás, há dois factos recentes que têm contribuído para o agravamento significativo do preço do petróleo: o encerramento do oleoduto Este-Oeste na Arábia Saudita após o ataque com drones a partir do Iraque. E os bombardeamentos que a Ucrânia tem feito a instalações de refinação na Rússia, sendo que este país é um dos maiores produtores de gasóleo do mundo”, referiu.
Carlos Brito é presidente da Ordem dos Economistas – Norte© Reprodução LinkedIn
Até quando os preços vão aumentar? “Esta é a pergunta mais difícil. Enquanto persistirem a instabilidade geopolítica e as perturbações nos mercados petrolíferos e na refinação, dificilmente teremos uma normalização sustentada dos preços. Não sabemos se serão semanas ou meses“, antecipou Carlos Brito.
Qual é o maior risco neste momento?
“Por isso, o maior risco neste momento talvez nem seja apenas os combustíveis subirem mais. É permanecerem caros durante demasiado tempo, contaminando de forma ainda mais gravosa os custos dos transportes, das empresas e, por essa via, os preços que todos pagamos“, alertou o presidente da Ordem dos Economistas – Norte.
Carlos Brito explicou que, “com a pressão inflacionista vinda de fora, a Europa arrisca-se a cair numa situação que é um pesadelo para qualquer economistas: a estagflação“.
“Isto é, um cenário caracterizado pela combinação simultânea de dois fatores: estagnação económica (crescimento nulo ou recessão) e altas taxas de inflação (subida contínua dos preços), o que irá ter reflexos na contração do investimento e no aumento do desemprego. Neste contexto, não vale a pena argumentarmos que ‘ainda há folgas’ que podem ser utilizadas, pois não sabemos até quando tudo isto vai durar”, conclui o economista.
Na próxima semana está previsto um novo agravamento dos preços dos combustíveis. O gasóleo deverá aumentar 6,5 cêntimos e a gasolina deverá ficar 5 cêntimos mais cara, adiantou fonte do setor ao Notícias ao Minuto.

A contar com desconto no ISP, quanto sobem os combustíveis? As previsões
Já a contar com o desconto no ISP, que deverá ser anunciado pelo Governo nas próximas horas, o gasóleo deverá aumentar 6,5 cêntimos e a gasolina deverá ficar 5 cêntimos mais cara, adiantou fonte do setor ao Notícias ao Minuto.
Beatriz Vasconcelos com Lusa | 12:23 – 18/09/2026
O ministro das Finanças admitiu que os apoios aos combustíveis vão manter-se “algum tempo”, remetendo uma avaliação para a evolução da guerra no Médio Oriente, defendendo apoios ao rendimento em vez de mexidas no IVA da energia.
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