Segundo Klingbeil – que é também copresidente do Partido Social-Democrata (SPD, na sigla em alemão) – o “cordão sanitário” não visa ganhos políticos, mas sim evitar que a democracia seja destruída, na sequência da lição aprendida com o fracasso da primeira experiência democrática da Alemanha, na chamada República de Weimar (1918-1933).
“Pretende impedir que os inimigos da Constituição cheguem ao poder político. Protege os direitos de cada indivíduo e a nossa democracia liberal. Para mim e para o meu partido, isto é inegociável”, escreveu Klingbeil num artigo hoje publicado no semanário Die Zeit.
O debate em torno da AfD intensificou-se depois de um relatório da organização Associação para as Liberdades Civis ter concluído que a existência do partido é inconstitucional.
“Os académicos independentes demonstraram que o AfD está a trabalhar num plano para destruir a nossa democracia e o Estado de Direito. Por isso, devemos examinar se existem as condições para um processo de proibição. Se existirem, um processo de proibição não seria apenas uma opção, mas um dever democrático para proteger o nosso país”, afirmou.
A Alemanha tem marcadas eleições regionais em setembro, em dois estados do leste da Alemanha, a Saxónia-Anhalt e o Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, e as sondagens de opinião mostram que o AfD continua a ganhar terreno e está mesmo a ameaçar os partidos de centro-direita e de centro-esquerda.
Acima de tudo, na Saxónia-Anhalt, onde a votação terá lugar a 06 de setembro, existe a possibilidade de, dependendo do cenário político, o AfD conseguir uma maioria absoluta.
A última sondagem, conduzida pelo instituto de sondagens dimap, dá ao AfD 41% na Saxónia-Anhalt, em comparação com 24% para a União Democrata Cristã (CDU), o partido do chanceler Friedrich Merz, 13% para A Esquerda, 7% para o SPD e 5% para os Verdes.
Caso o SPD e os Verdes não consigam atingir a meta dos 5% de votos e percam todos os seus assentos parlamentares, um resultado de cerca de 40% daria ao AfD a maioria absoluta.
Mesmo que este cenário seja evitado, a CDU enfrentaria ainda dificuldades para formar Governo, dado o seu princípio de não cooperar nem com o AfD nem com A Esquerda.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, onde a votação terá lugar a 29 de setembro, o AfD lidera também a sondagem dimap, com 36%, seguido pelo SPD com 29%, A Esquerda com 12%, CDU com 9% e os Verdes com 5%.
Neste estado, a social-democrata Manuela Schwesig lidera atualmente um Governo de coligação entre o seu partido e A Esquerda.
É em Berlim que as hipóteses da AfD parecem mais limitadas. Na cidade-estado, o A Esquerda lidera a última sondagem da empresa Civey, com 21%, seguido pela CDU com 19%, a AfD com 18%, os Verdes com 17% e o SPD com 12%.
A concretizar-se este cenário, o resultado mais provável seria uma coligação tripartidária com o A Esquerda, os Verdes e o SPD.
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