Uma comissão milionária paga antes da queda do Banco Espirito Santo (BES) leva agora o Goldman Sachs a tribunal. São mais de 90 milhões de euros que, em outubro, serão disputados no Tribunal do Comércio de Lisboa.
A notícia é avançada pela CNN Portugal, que explica que vários investidores terão colocado dinheiro no BES um mês antes da derrocada do banco. Depois, o financiamento entrou em incumprimento, mas o Goldman Sachs, responsável pela operação, terá conseguido garantir para si uma comissão e alegadamente juros milionários.
O caso em tribunal é, na prática, uma “batalha” que opõe a comissão liquidatária do BES, que quer recuperar esse dinheiro para os credores, e o banco de investimento norte-americano, que também alega perdas e rejeita ter protegido os seus interesses mesmo sabendo que o BES estava à beira da insolvência, de acordo com o mesmo canal televisivo.
A CNN Portugal conta ainda que há quase uma década que este processo se tem desenrolado, mas a 6 de outubro arranca aquele que diz ser o “seu expoente máximo”, já que o banco de investimento e os credores vão enfrentar-se num julgamento que deverá ter sessões quase diárias até dezembro.

Goldman Sachs ameaça avançar para tribunais contra BdP
A Goldman Sachs contesta a decisão tomada esta semana pelo Banco de Portugal acerca da não transferência da responsabilidade contraída pelo BES perante a Oak Finance Luxembourg e ameaça recorrer aos tribunais para contrariá-la.
Lusa | 16:13 – 26/12/2014
BdP avançou com regras para reembolsar credores do BES
O Banco de Portugal (BdP) colocou já em consulta pública um projeto de aviso sobre as compensações do Fundo de Resolução aos credores do BES, dispondo este de 630 milhões de euros para pagar a partir de 1 de dezembro.
A atribuição das compensações aos credores vai decorrer ao abrigo do princípio “no creditor worse off”, um princípio legal que estabelece que nenhum credor pode suportar perdas maiores numa resolução – neste caso do BES – do que teria se o banco tivesse entrado em processo de liquidação.
Caso o montante de 630 milhões de euros, provisionado no final de 2025, venha a revelar-se insuficiente para reembolsar os credores do BES, o Fundo de Resolução (FdR) poderá vir a ter de reforçar aquele valor.
De acordo com um relatório da consultora Deloitte encomendado pela instituição, a perspetiva de reembolso dos credores comuns do BES ascende a 31,7% dos créditos que venham a ser reconhecidos pela justiça.
Neste momento, os créditos de 1.079 credores, no valor de cerca de 2,2 mil milhões de euros, estão já reconhecidos judicialmente, o que ultrapassa em cerca de 300 milhões de euros o montante de 1,9 mil milhões de euros que se encontrava reconhecido no final de 2025.
A confirmar-se a existência de pedidos de reembolso no valor de 2,2 mil milhões de euros, o valor de 31,7% a pagar pelo FdR ascenderá a cerca de 700 milhões de euros, acima dos 630 milhões já provisionados no final de 2025.
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