Uma fotografia de uma mulher afro-americana rodeada por supremacistas brancos numa carruagem do metro de Washington D.C, nos Estados Unidos, está a correr o mundo. A imagem foi captada para a agência Reuters pelo fotógrafo freelancer Cheney Orr, no dia 4 de julho, tendo sido descrita por muitos internautas como a fotografia que define o país nos dias de hoje.
“Sinto que a fotografia desta mulher negra rodeada por dezenas de nacionalistas brancos mascarados e anónimos vai ser uma imagem marcante deste momento na América durante muito, muito tempo”, escreveu a diretora executiva da Campaign for New York Health, Melanie D’Arrigo, na rede social X (Twitter).
Já o comentador liberal Dean Withers apontou que “os vossos bisnetos verão esta fotografia nos seus livros de história”. “Esta é uma imagem que define a época da história americana em que vivemos”, complementou.
Também o ator Wendell Pierce se pronunciou, tendo considerado que era “uma fotografia digna de ganhar imediatamente o Prémio Pulitzer”.
I feel like the photo of this Black women surrounded by dozens of masked, anonymous, white nationalists is going to be a defining picture of this moment in America for a long, long time. pic.twitter.com/Y26j5DZpEv
— Melanie D’Arrigo (@DarrigoMelanie) July 4, 2026
Your great grandchildren will see this photo in their history books.
This is a defining image of the era of american history we live in. https://t.co/A4FMSYjZT5
— Dean Withers (@itsdeaann) July 4, 2026
An instant Pulitzer Prize winning photograph https://t.co/tPHv2EhX7f
— Wendell Pierce (@WendellPierce) July 5, 2026
Recorde-se que homens mascarados que chegaram na manhã de sábado à principal estação ferroviária da capital federal, no dia em que se assinalou o 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos, percorreram Washington com bandeiras da confederação ou o emblema da Frente Patriótica, um movimento supremacista branco, enquanto gritavam “Retomar a América!”.
O secretário do Interior da administração Trump, Doug Burgum, desvalorizou o desfile, tendo destacado, ao invés, a importância da liberdade de expressão na democracia norte-americana.
“Não há uma única posição que [supremacistas] estejam a defender com a qual eu possa concordar. Mas um dos princípios fundadores dos Estados Unidos, e é isso que torna a democracia complexa, é a liberdade de expressão”, disse, em declarações à CNN.
Burgum apontou que “há muitas coisas na história que podem ressurgir, mas a boa notícia é que estes pequenos incidentes são, na verdade, exceção”, elogiando a “união em torno do país e da bandeira” durante as comemorações do 250.º aniversário da independência dos EUA.
“Há muitas coisas que vejo que pessoalmente considero ofensivas e inaceitáveis. Mas, na América, a liberdade de expressão é permitida. Estamos num país onde alguém pode candidatar-se e ser eleito autointitulando-se comunista, mesmo que a nossa nação tenha lutado contra isso”, argumentou, numa referência às recentes vitórias de candidatos democratas socialistas nas primárias para as eleições intercalares de novembro.
De notar que, de acordo com o Programa sobre Extremismo da Universidade George Washington, a Frente Patriótica “é uma organização nacionalista branca fundada em 2017 por Thomas Rousseau, na sequência da manifestação mortal ‘Unite the Right’, realizada a 12 de agosto de 2017, em Charlottesville, Virgínia”. A mesma fonte salientou que “o grupo promove uma ideologia ultranacionalista centrada na ideia de criar um Estado étnico branco nos Estados Unidos, rejeitando o multiculturalismo e a diversidade”. Nessa linha, é conhecido pela propaganda, a organização de marchas e a vandalização de obras de arte públicas, com o objetivo final de “remodelar a sociedade americana para que se alinhe com a sua visão de homogeneidade racial e cultural”.
Veja as imagens na galeria acima.

Administração Trump desvaloriza desfile de supremacistas no 250.º aniversário
O secretário do Interior da administração Trump desvalorizou hoje um desfile de algumas centenas de ativistas supremacistas brancos em Washington, na comemoração do 250.º aniversário da independência dos EUA, destacando a importância da liberdade de expressão na democracia norte-americana.
Lusa | 16:13 – 05/07/2026



